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A importância da conservação de solos

Sempre que ouvimos a palavra “conservação” é quase certeza que vem a nossa cabeça a ideia de algo que não deve ser alterado ou que deve ser mantido da forma com que está. Mas será que quando pensamos em solos essa ideia faz sentido de forma ampla e completa?

De acordo com o Manual Internacional de Fertilidade de Solo estes “são o meio no qual as culturas desenvolvem-se para alimentar e abrigar o mundo”. Ampliando um pouco a definição, de acordo com a Embrapa os solos apresentam cinco funções básicas:

1 – Sustentar o crescimento das plantas, fornecendo um meio para fixação e obtenção de água e nutrientes.

2 – Ser o local onde ocorre grande parte da ciclagem dos nutrientes na natureza, transformando matéria de decomposição em novas fontes de alimento.

3 – Definir qual o destino e qualidade das águas da superfície da terra. Grande parte – ou quase a totalidade – da água doce que existe no planeta já passou em algum momento por diversos tipos de solos.

4 – Ser o habitat de inúmeros organismos, sejam estes muito pequenos como bactérias e fungos ou maiores como insetos e minhocas.

5 – Prover não só materiais para construção de casas e edifícios, mas também ser a base física para tudo o que é criado pelo homem.

É impossível dissociar solos da produção agrícola. Sim, também conseguimos produzir alimentos em situações nas quais não existe solo, como no caso de cultivos hidropônicos que utilizam estruturas artificiais como canos com soluções nutritivas para produção. Mas é fundamental lembrarmos que, até 2050, as expectativas de crescimento populacional do mundo indicam que chegaremos a 10 bilhões de pessoas. E neste cenário, termos solos em condições de conservar seu potencial produtivo para sustentar culturas no longo prazo, é imprescindível não só para a segurança alimentar da população, mas também para a continuidade da humanidade.

Mas, afinal, voltando a nossa primeira dúvida: no que devemos focar para conservar os solos? Volte alguns parágrafos acima e leia novamente as cinco funções listadas. Pronto. Conservar os solos é garantir que eles desempenhem estas funções.

Poderíamos ficar aqui por páginas e páginas dissertando sobre formas de conservarmos os solos. Mas para resumir a conversa – respeitando as particularidades de cada região e cultura – e, também, para sermos mais diretos ao ponto, se queremos conservar o potencial produtivo dos solos as práticas agrícolas devem ter como foco manter a integridade física, química e biológica dos solos. Solos saudáveis geram culturas saudáveis.

E, esses esforços e cuidados devem ser constantes, pois, como nós, os solos são vivos e mudam com o tempo. Solos férteis e produtivos podem se tornar, com o uso inadequado, pobres e inóspitos. Mas o contrário também tem se mostrado verdadeiro. E estes exemplos de sucesso estão muito pertos de nós.

A agricultura brasileira floresceu em solos férteis como os massapê no nordeste do Brasil, onde a cana-de-açúcar encontrou condições para desenvolvimento no início do século XVI, ou mesmo em áreas onde antes estavam densas florestas e que deram espaço a cafezais nos estados de São Paulo e Paraná entre os séculos XIX e XX. E graças ao conhecimento agronômico, uso de técnicas e insumos adequados e ao manejo consciente, conseguimos não só manter o potencial produtivos destes solos que estão há mais de 400 anos contribuindo com a agricultura mas também explorar, de forma sustentável, áreas antes consideradas “marginais” como o Cerrado Brasileiro.

Não podemos, nunca, nos esquecer de que conservar o potencial produtivo dos solos é cultivar não só o nosso presente, mas também o futuro das próximas gerações.

Flavio Bonini

Bibliografia consultada:

IPNI. Manual Internacional de Fertilidade do solo. Disponível em: <http://brasil.ipni.net/beagle/BRS-3407&f=Manual%20Internacional%20de%20Fertilidade%20do%20Solo.pdf>. Acesso em 01 dez. 2019.

EMBRAPA. Capítulo 3 – Solos: tipos, suas funções no ambiente, como se formam e sua relação com o crescimento das plantas. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/94212/1/Ecossistema-cap3C.pdf>. Acesso em 01 dez. 2019.

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