Para determinação de muitas características de uma área, é preciso realizar a análise do solo. Essa análise é essencial pois permite o melhor uso possível da terra. Para o agricultor, conhecer essas informações pode auxiliar principalmente na economia de fertilizantes.

Todo o processo se inicia com a amostragem da área a ser plantada.

Amostragem para análise de solo

Para se realizar a análise de laboratório, apenas um pequeno punhado de solo de fato é usado, no entanto, essa porção de terra deve representar toda a área para qual a recomendação será feita. 

É sempre recomendável que seja usado o maior número de amostras possível, uma vez que o solo pode apresentar  variações bastante grandes ao longo da lavoura. Quanto menor for a variabilidade do solo no terreno, maiores serão as áreas que se identificam com uma amostra; quando a variabilidade for alta, no entanto, mais amostras são necessárias para representar adequadamente o local.

Área da amostra        

As amostras devem ser representativas da área que está sendo tratada. Em alguns casos, a amostragem por cor do solo é um método aceitável para dividir campos grandes em áreas similares. Para isso, fotografias aéreas de podem ser utilizadas como referência.

As áreas que divergem em inclinação, drenagem, tratamento anterior etc., devem ter amostras tiradas separadamente. Por fim, a área que a amostra representa deve ser grande o suficiente para tratamentos especiais com cal ou fertilizante.

Lembre-se de remover qualquer material estranho da superfície, como pedras e galhos, antes de submeter a amostra à análise.

Não colete amostras de:

  • Áreas mortas ou cabeceiras;
  • Fileiras de cercas antigas ou novas;
  • Leitos de estradas velhas ou próximo a estradas com cascalho de calcário;
  • Canais de terraceamento;
  • Quebra-ventos;
  • Curvas de nível;
  • Áreas de derramamento;
  • Faixas de fertilizante, incluindo N anidro;
  • Locais com características anormais;

Procedimentos de amostragem

O objetivo da amostragem é, portanto, representar uma determinada área de forma a gerar uma análise de solo confiável. Esta deve então estimar corretamente a capacidade do solo de fornecer os nutrientes necessários para atender à demanda da plantação.

É válido salientar, entretanto, que as análises de solo podem não ser suficientes para determinar a quantidade de nutrientes no solo. Os resultados do teste devem ser utilizados em conjunto com uma curva de calibração, pois esta relaciona a análise de laboratório a um conjunto de dados de resposta (desenvolvimento) da cultura.

Sem os dados de resposta os resultados do laboratório dificilmente atingem seu potencial máximo, por isso é vital manter um histórico da área. Com isso em mente, o padrão da amostragem deve ser pensado para melhor caracterizar a variabilidade dentro da lavoura, gerando um mapa de solos tão próximo da realidade quanto possível.

Profundidade

Antes de iniciar a amostragem, verifique com o laboratório qual profundidade é recomendada. A profundidade deve ser determinada para representar a zona da raiz que a planta desenvolve, mas também deve ser consistente com a profundidade de amostragem necessária para os dados de calibração.

A maioria das calibrações se baseiam em uma profundidade de 15 a 20 centímetros. Em períodos secos, quando a coleta é mais difícil, há um risco de não se representar a profundidade adequada, dependendo de como a atividade for realizada. 

A amostragem muito rasa frequentemente gera resultados muito altos, pois os nutrientes tendem a ficar mais concentrados na superfície. Desse modo, a amostragem rasa pode superestimar o status real dos nutrientes do solo e levar a superestimação das taxas de fertilizante necessárias.

A uniformidade da profundidade de amostragem do solo é uma das partes mais críticas para análise de solo, portanto é uma das fontes mais comuns de erros. A figura destacada ilustra um exemplo extremo que enfatiza o problema. 

análise de solo

Efeito de profundidade na amostragem de P (fósforo) e K (potássio), segundo resultados da análise de solos. Fonte: IPNI 

Esses valores mostram a diferença dos resultados de P (fósforo) e K (potássio) em um perfil para profundidades de amostragem de 10 cm (4”), 15 cm (6”), 20 cm (8”) e 25 cm (10”), em uma lavoura de alta produtividade de Herman Warsaw. Embora as diferenças não sejam tão grandes, uma variação semelhante é comum em qualquer lavoura e são ainda maiores em áreas não cultivadas, onde a estratificação de nutrientes é mais comum. 

Estratificação de nutrientes

A profundidade da amostragem deve permanecer consistente porque muitos solos são estratificados e a variação na altura pode gerar erros nos resultados analíticos.

Para testar a estratificação do solo, tire amostras ao longo do perfil, de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm, para culturas com raízes mais profundas também costuma-se coletar amostras na faixa de 40 a 60 cm. Lembre-se também de coletar o número recomendado de amostras. Quanto maior a diferença nos dados analíticos entre as amostras, maior o grau de estratificação.

Padrão

Seja a aplicação de nutrientes de taxa variável planejada ou não, a amostragem do solo em um padrão organizado é uma boa prática de gestão. Isso por que ela ajuda a garantir a representação adequada de toda a lavoura.

Para agricultura de precisão, alguns agrônomos recomendam a análises tal que cada amostra represente por volta de 1 ha ou até menos. Pelo menos duas amostras por ha são preferíveis, especialmente em áreas que recebem 630 mm ou mais de chuva por ano, bem como lavouras irrigadas.

Instruções de amostragem do solo

Importante: Para que a análise do solo seja precisa e tenha uma interpretação significativa, é preciso que as amostras sejam tiradas adequadamente.

O trabalho analítico do laboratório não é capaz de melhorar a precisão de uma amostra, uma vez que esta não represente a área.       

Selecione os equipamentos apropriados    

Colete amostras utilizando tubos ou brocas de amostragem cromados ou de aço inoxidável. Evite ferramentas galvanizadas, de bronze ou latão e utilize baldes limpos de plástico. Não utilize baldes galvanizados ou de borracha, uma vez que podem contaminar as amostras.                            

Quando tirar amostras            

A amostragem pode acontecer durante qualquer período do ano. Entretanto, é melhor coletar amostras de uma lavoura aproximadamente no mesmo período todo ano.                            

Preparação de amostras para envio            

Misture bem as amostras coletadas na área (isto é, no lote) em um balde plástico. Essa será a sua amostra, guarde-a adequadamente em um saco plástico bem fechado e identificado. Para melhor identificação, inclua todas as informações relevantes, como local, data e nome da propriedade.

Padrão de amostragem

A amostragem pode seguir um padrão, para assim representar melhor o campo. No entanto, deve-se considerar fontes de variabilidade conhecidas (alterações principais de tipo de solo, padrões anteriores de plantações, etc.).

Um padrão de grade é geralmente o melhor modo de garantir que toda a área seja representada, mas ainda assim há a possibilidade de padrões se desenvolverem a partir de aplicações de nutrientes, efeitos de plantações e outros comportamentos uniformes. É recomendável, então, um esquema de amostragem que evite a coleta em linha reta, para fugir de erros nessa etapa.

Segundo a recomendação da EMBRAPA, é desejável se dividir a área em lotes, ou glebas, de 10 ha e realizar a coleta das amostras em zigue-zague, evitando assim os erros comuns em amostragens feitas em linha reta.

Camadas de dados auxiliares

O conhecimento de fontes específicas de variabilidade de produtividade pode, também, ser utilizado como guia para o padrão de amostragem. Amostras adicionais são coletadas a fim de representarem os pontos úmidos conhecidos, áreas onde lotes de alimentação de gado estavam localizados anteriormente, etc.

Mapas de estudo de solo, de produtividade, topográficos, fotografias aéreas e históricos de gestão são exemplos de camadas de dados auxiliares, que podem ser úteis na determinação do melhor padrão de amostragem. 

Organizar os estudos de solo dessa forma é útil para determinar fatores limitantes principais, como: drenagem ruim, grandes inclinações e erosão.

Esse dados podem ser então utilizados para identificar a variação na matéria orgânica, textura e outros fatores que influenciam o conteúdo de água do solo no campo, em função do tempo. Essas são informações importantes para guiar aplicações de nutrientes, taxas de pesticidas e demais insumos da produção.

Amostragem inteligente ou tendenciosa

É senso comum e boa prática de gestão ajustar os padrões de amostragem para auxiliar na consideração de fontes conhecidas de variabilidade, como: topografia, padrões anteriores de gestão, lotes antigos de gado ou fileiras de cercas.

As características acima citadas, dentre outras, podem afetar os níveis de nutrientes encontrados na análise de solo e por esse motivo devem ser consideradas na determinação dos pontos de amostragem. 

Mesmo se um padrão de amostragem de grade for utilizado, ele deve ser ajustado para essas fontes conhecidas de variabilidade de nutrientes. Em alguns casos é necessário evitar essas características específicas, já em outros é importante coletar amostras, para representá-las adequadamente.

Identificação de oportunidades no cultivo

Diferentes sistemas de cultivo, assim como perfis de solos, causam comportamentos distintos na mistura de nutrientes. 

Frequentemente, os nutrientes se tornam estratificados, isto é, se depositam em camadas. Tal comportamento pode afetar a disponibilidade dos nutrientes para a planta, especialmente se as condições de umidade limitarem a atividade da raiz em algum momento.

Por exemplo, se os nutrientes se acumularem nos 10 a 20 cm superiores na zona da raiz e o solo secar, a planta pode ficar subnutrida devido à indisponibilidade de nutrientes em posição favorável. Isto é, o suprimento na verdade está lá, mas está inacessível às raízes devido à falta de umidade.

Uma amostragem intensiva do solo pode ser utilizada para se perceber o uso desnecessário de fertilizantes em algumas áreas, bem como o uso insuficiente em outras.

Resultados da análise

A análise de solo se inicia com a coleta de amostra no campo. Esse procedimento é muito importante para determinação de fertilizantes e correção de pH que o solo precisa. Lembre-se sempre que as recomendações de cal, gesso e fertilizantes que saem da análise de solo não podem nunca ser mais precisas que a amostragem, por isso, seja tão criterioso quanto puder logo no início.

FATORES QUE AFETAM A DISPONIBILIDADE DO NUTRIENTENPKSCa +MgMICRONUTRIENTES
pH do soloXXXXXX
UmidadeXXXXXX
TemperaturaXXXXXX
ArejamentoXXXXXX
Matéria orgânica do soloXX XXX
Quantidade de argilaXXXXXX
Tipo de argila XX XX
Resíduos de plantaçãoXXXXXX
Compactação do solo XX   
Status de nutriente do solo XX X 
Outros nutrientes XX XX
Tipo de plantaçãoXX X X
Capacidade de troca de cátions (CTC)  X XX
% de saturação de CTC    X 

Vale lembrar que os nutrientes só podem ser absorvidos pelas raízes quando dissolvidos em água, por isso nutrientes insolúveis não são podem ser usados pelas plantas em curto prazo.

Análise química

Uma vez coletada a amostra, recomenda-se enviá-la para um laboratório certificado. Assim a análise pode ser realizada por pessoas treinadas, com os equipamentos adequados e, dessa forma, os resultados sejam confiáveis.

Calibração e interpretação

Talvez o maior desafio na análise de solo seja a chamada calibração dos testes. Esse procedimento consiste na comparação dos resultados da análise de solo em relação à produtividade da plantação, levando também em conta as aplicações de fertilizantes. 

Ao interpretar os resultados encontrados, vários pontos devem ser levados em consideração:

  • As chances de conseguir uma melhora na produtividade com a fertilização são maiores para solos mais pobres em nutrientes do que o são para solos férteis.
  • Isso não exclui a possibilidade de uma resposta lucrativa da aplicação de nutrientes em áreas com alto nível de fertilidade.
  • Com boas práticas de gestão, a produtividade e a lucratividade aumentam, dentro do possível.
  • Com o uso inteligente das análises de solo, é possível montar uma gestão de fertilidade de longo prazo, garantindo a continuidade da produção.

Recomendações

O objetivo das análises de solo é auxiliar os agricultores a classificarem suas áreas e, com a ajuda de um agrônomo, chegarem à recomendação adequada de fertilizantes, dependendo do solo e da cultura. 

Para o agricultor, é muito proveitoso ter a informação com maior precisão possível, assim ele minimiza o uso de fertilizantes, pois aplica apenas o suficiente. Em uma situação ideal, ocorre o fornecimento mínimo de nutrientes para a maior produção possível, sendo este seguido de sua solubilização no solo, e a planta tenha facilidade de incorporá-los.

Recomendações individualizadas de fertilizantes, específicas para determinada área, são mais detalhadas que recomendações geradas por modelos aproximados, baseadas em hipóteses e generalizações. Esse tratamento individualizado só é possível através das análises de solo.

Alguns fatores relevantes para ajudar e personalizar as recomendações são:

  1. Calibração da análise do solo; uma vez que o conhecimento do histórico de uso do solo é muito importante para compreensão de sua capacidade agrícola;
  2. Potencial de produtividade; pois utilizar o solo segundo sua capacidade produtiva natural evita gastos excessivos com fertilidade que, em alguns casos, geram safras insatisfatórias;
  3. Disposição do fertilizante; já que a forma como os fertilizantes são distribuídos na área causa grande impacto no custo de manejo. É preciso, portanto, depositá-los apenas nas regiões onde estarão mais disponíveis para as plantas.
  4. Situação financeira do agricultor; a recomendação de fertilização tem que ser viável financeiramente para o produtor pois, se não o for, sequer será realizada;
  5. Distribuição uniforme e balanceada de nutrientes; uma dispersão irregular pode causar queda de produtividade e chegar a até mesmo exigir correção posterior;

Conclusão

Para aumentar a produtividade de uma área é preciso fazer uso de fertilizantes e, com eles, oferecer às plantas os nutrientes que precisam. Alguns solos precisam mais de um nutriente que outro, alguns precisam de forte correção de pH, outros nem tanto. Cada área é única e deve ser tratada como tal.

Procure sempre um laboratório certificado para fazer suas análises. Encontre um agrônomo de confiança para interpretar os resultados e fazer as recomendações. É importante também se atentar para as indicações do fornecedor das sementes, ou mudas, para que nenhum nutriente deixe de ser fornecido.

E você, já baixou nosso e-Book gratuito? É um guia completo sobre adubação e calagem, aproveite!

Loading...