Desde que o ser humano começou a domesticar plantas, houve uma segmentação das plantas úteis para sua alimentação, que não trariam malefícios para a saúde e ajudariam a suprir a dieta de seu grupo, que posteriormente na história foram denominadas como plantas úteis. Por outro lado, plantas que não tinham valor nutricional relevante, que não apresentavam benefícios para os seres humanos, foram classificadas como plantas maléficas, ou também, plantas daninhas.

Para usufruir sempre da melhor variedade da cultura plantada, o homem selecionava as cultivares que mais supriam suas demandas por alimento no momento, o que propiciou a evolução das plantas cultivadas, e possivelmente proporcionou também a evolução das plantas daninhas, evolução esta que as fizeram de simples plantas no campo, para problemas para o produtor atualmente.

Plantas daninhas são classificadas como espécies que ocorrem em locais indesejados na plantação para a agricultura. Uma vez que sofrem apenas melhorias genéticas naturais, estas plantas apresentam melhor capacidade de desenvolvimento e crescimento em condições adversas, como ambientes com problemas químicos e físicos no solo, em comparação a uma planta comercialmente cultivada.

Além de terem maior resistência a plantas e doenças, plantas daninhas desenvolveram um sistema eficiente de propagação vegetativa, junto com a facilidade de produção de uma grande quantidade de semente, e a diversidade de tipos de multiplicação, desde rizomas, estolões, tubérculos e entre outros, ainda há a dormência de sementes. Há espécies que rompem a dormência mesmo depois de anos no solo, isto ocorre pois somente germinarão quando o ambiente estiver propício para o adequado desenvolvimento delas. Dentre muitas espécies de plantas daninhas, destaca-se a buva (Conyza spp.), pela dificuldade de controle pelo produtor.

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A buva

A buva (Conyza spp.) em específico, destaca-se por sua alta produção de sementes, que ocorre através de uma eficiente estrutura de dispersão de sementes, denominada papus, além da facilidade de polinização e sua dispersão pelo vento (anemocoria).

As plantas daninhas disputarão com a cultura de interesse comercial por fatores essenciais para o desenvolvimento de ambas, denominados como problemas diretos, em que haverá disputa por recursos básicos, como água, nutrientes, luz e espaço para desenvolvimento, tanto da parte aérea como da parte subterrânea. Indiretamente, plantas daninhas podem causar outro tipo de problema, visto serem potenciais hospedeiras de pragas e plantas, e a liberação de substâncias alelopáticas capazes de inibir a germinação, o crescimento e consequentemente comprometer desenvolvimento de outras plantas que entrarem em contato com essas substâncias químicas.

Um fator que vem aumentando a incidência de buva na plantação está ligado diretamente ao sistema de cultivo agrícola. A introdução das culturas geneticamente modificadas para resistir ao glyphosate gerou uma pressão na seleção de biotipos resistentes desta daninha, logo práticas comuns para controle de daninhas e seus principais produtos para combatê-las, não estão apresentando eficácia. A resistência por um agroquímico é a resposta para a capacidade de sobreviver a determinada molécula presente.

Outro fator do cultivo agrícola atual é a adoção de plantio direto como responsável pelo aumento de incidência da buva. Mas era previsto este aumento devido a características inerentes da soja, como o tamanho das sementes, a dispersão pelo vento e a germinação na superfície do solo (GAZZIERO,1998).

A perda de produtividade na soja por esta daninha varia de acordo com o estágio fenológico da planta e a infestação da planta buva. Segundo pesquisas da Supra Pesquisas, este número varia de 14% de perda com população de 1 planta de buva por metro quadrado e até 59% de perdas com uma população de 8 plantas por metro quadrado.

Este conjunto de fatores torna a concorrência com as culturas comerciais desleal, com perdas totais e parciais na produção, por isso, produtos de qualidade para auxiliarem no desenvolvimento da planta e asseguram uma produtividade alta no campo são fundamentais.

O nível da competição entre a soja e a planta daninha poderá ocorrer em diversas etapas do manejo agrícola da propriedade. Segundo Pitelli, (1985) a gravidade da infestação está relacionada à composição, frequência e distribuição da população de plantas invasoras. Também o estabelecimento da cultura agrícola relacionada à variedade da cultura, o espaçamento entre plantas e a densidade populacional, mas também ao fechamento da linha pela cultura e o melhor desenvolvimento inicial para que haja o menor tempo possível de competição por fatores essenciais, pode-se denominar então como período de convivência interespecíficas.

Todas estas particularidades fazem com que seja fundamental ao produtor auxiliar o desenvolvimento da cultura agrícola para que a competição seja a menor possível com as plantas daninhas e assim, não haja perdas drásticas na sua produtividade, e a utilização de manejos viáveis, tais como o uso de fertilizantes, devem ser considerados.

Bibliografia

Buva:  Fundamentos e Recomendações para Manejo/editores:  Jamil Constantin et al.  — Curitiba, PR: Omnipax, 2013104 p.

Referências

GAZZIERO,D.L.P Control of Weeds in: No-tillage Cultivation. In: NO-TILLAGE CULTIVATION OF SOYBEAN AND FUTURE RESEARCH NEEDS IN SOUTH AMERICA, 1998, Foz do Iguaçu.Proceedings…[S.I]:JIRCAS, 1998.p.43-52.

PITELLI, R.A. Interferencias de plantas daninhas em cultura agrícolas. Informe Agroprcuário, Belo Horizonte, v. 11, n. 129, p. 16-27, 1985.

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