Uso de leguminosas em Sistemas Integrados de Produção Agropecuária (SIPA)

por | jan 12, 2022 | Blog Nutrição de Safras, Manejo e Práticas Agronômicas | 0 Comentários

O uso de leguminosas forrageiras em consórcio com o milho tem apresentado resultados produtivos positivos. O objetivo desta prática é aumentar o aporte de nitrogênio (N) no solo, via fixação biológica do N atmosférico, visto que sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) em solos brasileiros ainda são limitados pela carência de N e pelo baixo teor de matéria orgânica. Tendo assim alta dependência do uso de adubo nitrogenado para o sucesso da produção. Visto que a deficiência de nitrogênio limita a produtividade de massa seca, principalmente em gramíneas.

O feijão guandu (Cajanus cajan) é uma leguminosa forrageira, amplamente cultivada em regiões subtropicais e tropicais, que tem potencial para uso em conservação do solo, podendo ser utilizado em consórcio com o milho, produzindo forragem com maior teor de proteína. Possui ainda um sistema radicular profundo, ramificado e com raízes fortes, com uma pivotante e várias secundárias bem desenvolvidas que favorece o rompimento de camadas adensadas do solo, característica que lhe garantiu a denominação de “arado biológico”. Assim as raízes retiram água de maiores profundidades em comparação a outras leguminosas, sem interferir na absorção de água de outras culturas e gramíneas, além de ser resistente ao estresse hídrico, conseguindo produzir mesmo em período crítico.

Benefícios do uso de leguminosas

         Nos casos em que consórcios envolveram gramíneas forrageiras, para pastejo como no caso das cultivares do gênero braquiária, especialmente o capim-marandu (brachiaria brizanta cv. Marandu) e leguminosas como o guandu, outros benefícios são esperados como a melhoria na qualidade da forragem oferecida, com aumento do teor de proteína bruta proporcionado pela leguminosa, principalmente nos períodos de estacionalidade na produção de forragem. Resultados de melhoria da composição bromatológica da pastagem.

         A liberação do nitrogênio pelo guandu ocorre de três maneiras: (1) Pela lixiviação nas folhas: é pouco significativa, por volta de 1%, (2) transferência pelo sistema radicular: estimada entre 1 á 3%, alcançando um máximo de 9%; (3) quando consorciado: mineralização do N contido no resíduo da leguminosa é a de maior importância, podendo alcançar 90%. Esta leguminosa tem relação simbiótica com Rhizobium do grupo do feijão caupi (Vigna unguiculata), estirpes de lenta nodulação.

A nodulação do guandu diminui em solos com deficiência de fósforo, cálcio e magnésio, e ainda é influenciada fortemente pelos teores de enxofre e cobre, nutrientes essenciais à fixação do nitrogênio. O acúmulo do N na palhada, após um ano de desenvolvimento de diversas culturas, incluindo gramíneas e leguminosas, observou que o guandu anão e o comum acumularam entre 192 a 600 kg de N ha-1 provenientes da fixação biológica.

         Ao definir a estratégia de manejo do pastejo dos animais, é necessário considerar nas forrageiras, basicamente, o índice de área foliar, as reservas orgânicas, a altura de pastejo e o mecanismo de rebrota. Quando semeadas na mesma época, a gramínea de clima tropical, que é uma planta de ciclo fotossintético de 4 carbonos, é muito mais eficiente quanto à fotossíntese, tendo crescimento mais rápido e maior acúmulo de reservas, evidentemente irá superar a leguminosa de ciclo fotosintético de 3 carbonos, com menor eficiência fotossintética.

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