perfil de solo

6 dicas de ouro para a construção do perfil de solo

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Categorias: Solo

Há diversas abordagens quando o assunto é sistema de produção agrícola. De 1970 a 1990 o objetivo consistia somente em produtividade. A partir de 1990 os objetivos evoluíram em produtividade, meio ambiente, saúde animal e humana.

A partir de 2010, surgem métodos de alto rendimento e adição da microbiologia, cujos objetivos integram a multifuncionalidade, serviços ecossistêmicos, resistência e resiliência. E, o que a construção de perfil de solo tem a ver com essas estratégias? A resposta é: tudo.

O que é perfil de solo?

Frequentemente, depara-se com o conceito científico de que é uma seção vertical que atravessa todas as suas camadas ou horizontes do solo, estendendo-se da superfície até o material de origem (Curi et al., 1993).

As propriedades naturais ou intrínsecas de um solo, são chamadas de propriedades inerentes. Formam-se por processos de longo tempo e envolvem outros fatores como clima, mineralogia, inclusive a construção do perfil do solo. Ou seja, a natureza já construiu o perfil do solo e seus horizontes.

Qual a importância da construção de perfil de solo?

Aumentar a produtividade, em solos capazes de desempenharem suas múltiplas funções como: produção de alimentos, fibras, ciclagem de nutrientes, regulação do fluxo de água, estocagem de carbono, biodiversidade. 

Nesse contexto, surgem as propriedades dinâmicas do solo, influenciadas por interações naturais e antrópicas. As propriedades dinâmicas ocorrem “no tempo do homem”, são características químicas, físicas e biológicas sensíveis a rápidas mudanças em resposta ao manejo. Neste ponto, o conhecimento é a chave para as altas produtividades e o produtor é o protagonista na construção de “fertilidade” no perfil do solo.

Ferramentas para construção de fertilidade no perfil de solo

Os campões CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) são bastante conhecedores. O Campeão Nacional – Região Sul – Categoria Sequeiro Safra Soja 2024/2025, colheu 135,49 sacos por hectare. A produtividade média da fazenda foi de 90,82 sc/ha, resultante, principalmente, da construção de fertilidade no perfil de um solo com resistência a penetração menor que 1,7 Mpa, teores nutricionais adequados e crescimento radicular com baixo impedimento químico.

A principal barreira química ao enraizamento é o Alumínio (Al3+), tóxico as culturas agrícolas e principal fator limitante da produtividade. Zerar o alumínio nas camadas superficiais e mais profundas é também uma forma de construção de fertilidade de perfil de solo, pois acessa-se mais água e nutrientes.

Solos com boa distribuição de raízes expressam capacidades de água disponível na faixa de 400 a 700 mm, enquanto solos com má distribuição essa capacidade de armazenamento se torna de 4 a 5 vezes menor.

Em síntese, hoje uma propriedade rural localizada no Norte do Paraná, com uma produtividade potencial atingível de 95 sc/ha, pode expressar perdas de 10 sc/ha quando a resistência a penetração é 2,5 Mpa > 10 sc/ha devido a baixa capacidade de armazenamento de água no solo > 7,5 sc/ha devido a um pH entre 5,4 e 5,5, resultado em uma produtividade real de 67,5 sc/ha. Eis aqui um simples exemplo da importância de construirmos a fertilidade química, física e biológica, no perfil do solo.

Há uma série de ferramentas que podem auxiliar nessa construção, como rotação de cultura, adubação verde, agricultura de precisão, etc. Uma em, em especial, promove a melhoria das propriedades físicas, físico-químicas ou atividade biológica do solo, podendo até recuperar solos degradados ou desequilibrados nutricionalmente. Falamos do fosfogesso, uma tecnologia fornecedora de cálcio e enxofre solúveis, com aporte de fósforo (0,3 a 1% de P2O5).  Ou seja, em 1t/ha de fosfogesso a 1% de P2O5 oferta-se ao sistema de produção cerca de 10 kg/ha de P2O5.

O Campeão Nacional – Região Sul – Categoria Sequeiro aplicou 1,5 t/ha de fosfogesso nas safras 2022/2023 e 2023/2024, praticamente zerando o alumínio tóxico no perfil do solo de 0 a 200 cm de profundidade, validando a essencialidade dessa ferramenta na busca por altas produtividades.

Qual o papel do fosfogesso na construção de fertilidade no perfil de solo?

O de f.  O gesso agrícola (CaSO4.2H2O – sulfato de cálcio dihidratado), pode ser obtido através de dois processos:

  • Processamento da gipsita ou gesso de rocha natural;
  • Co-produto da produção de fertilizantes fosfatados (fosfogesso).

Quando aplicados no solo, segundo especialistas, cerca de 50% irão se dissociar nas formas de Ca2+ e SO42- e a outra metade seguirá na forma de CaSO4 percorrendo e construindo o perfil de solo.

No compartimento químico do solo atuará como fonte fertilizante dos macronutrientes cálcio e enxofre e neutralizador de alumínio, potencializando o aumento na saturação de bases. No físico o seu cálcio solúvel estimula o enraizamento profundo, consequentemente, reflete-se na estruturação, aeração e capacidade hídrica. Já no biológico o efeito positivo ocorre na rizosfera, onde há maior produção de exsudatos radiculares e pela redução de alumínio, que é tóxico para algumas bactérias, como as fixadoras de nitrogênio.

Em uma propriedade rural, localizada na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, comparou-se um talhão com e sem aplicação de fosfogesso, para avaliação do potencial efeito biológico no solo, no pós-colheita da soja.

Seguem alguns resultados da dose de 1t/ha de fosfogesso, baseados na metodologia BioAS, da Embrapa:

perfil do solo com e sem fosfogesso

Fonte: Autor, 2026.

As enzimas beta-glucosidade e arilsulfatase atuam como bioindicadoras e medem capacidade do solo de ciclar nutrientes e decompor a matéria orgânica. No tratamento com aplicação do fosfogesso nota-se que ambas foram maiores e, ao alumínio praticamente zerou (0,03 cmolc/dm³). Com relação a produtividade no talhão com fosfogesso se colheu 5,5 sc/ha a mais de soja.

Passando a construção de fertilidade física no perfil, em uma estação experimental localizada em Augusto Pestana/RS, avaliamos a resistência a penetração (RP) em Três momentos: (i) Dia 0; (ii) Dia 60 e (iii) Dia 120, na cultura do trigo. No experimento, foram calibradas doses diferentes de fosfogesso e adicionados os tratamentos Calcário e Escarificação. Os objetivos consistiram e validar se pelo menos um dos tratamentos reduziria a RP e se o efeito de uma potencial redução da resistência influenciaria a produtividade.

profundidade máxima do solo

Fonte: Autor, 2026.

Os tratamentos Gesso 1.300 kg/ha e Gesso 2.800 kg/ha foram os que apresentaram os melhores resultados de condicionamento físico do perfil do solo, com as maiores resistências a penetração identificadas a 60 cm de profundidade e 50 cm, respectivamente. Quanto a produtividade, no tratamento controle foram colhidos 51,6 sc/ha, 56,2 sc/ha no tratamento Gesso 1.300 kg/ha e 55,1 sc/ha no tratamento Gesso 2.800 kg/ha. A estimativa é que 1.000 kg/ha de fosfogesso possuem o potencial de reduzir a resistência do solo a penetração de raízes na ordem de 0,1 a 0,2 Mpa.

Em recente experimento agrícola, foram avaliadas diferentes metodologias de calibração de doses de gesso, na região Meio Oeste de Santa Catarina, aplicadas em pré-semeadura de aveia branca. O tratamento baseado no método de Caíres e Guimarães foi o que apresentou melhor resultado na produção de massa seca (4,7 t/ha a mais que o controle), com uma dose 840 kg/ha. As outras metodologias calibraram doses na faixa de 1.340 kg/ha a 4.320 kg/ha e foram superiores ao tratamento controle. O tratamento “padrão produtor” na dose de 1.500 kg/ha expressou produtividade similares a dois tratamentos, cujas doses foram calibradas por metodologias científicas, mas ainda ficou significativamente abaixo do tratamento de melhor resultado de produção.

Na análise do efeito dos tratamentos sobre o perfil de solo, nas camadas de 0-20cm e 20-40cm, novamente a metodologia de Caíres e Guimarães se destacou, principalmente sobre os valores de Saturação de Bases (V%), concentração de fósforo e teor de matéria orgânica.

6 dicas de ouro para a construção de fertilidade no perfil de solo

  • A construção deve ser química, física e biológica;
  • Inicie a construção no inverno, pensando nas culturas de verão;
  • Reduza a saturação de alumínio (< 10%) e hidrogênio (<30%);
  •  Eleve a saturação do macronutriente Cálcio (> 46%);
  • Priorize o equilíbrio de bases ou relações harmônicas entra cálcio, magnésio, potássio e os níveis críticos de enxofre, fósforo, etc;
  • Priorize ferramentas de construção que atuem na química, física e biologia do solo, como o fosfogesso.

Conclusão

A parceria entre Mosaic e SulGesso Agro oportunizou a seguirmos levando aos produtores da Região Sul do Brasil soluções de alta qualidade e de rápida resposta no campo. O fosfogesso produzido é de alta concentração de cálcio e enxofre, granulometria fina e homogênea, além de baixa umidade.

Confira o depoimento de Manoel Ferreira, diretor-presidente da Sulgesso Agro sobre a parceria com a Mosaic:

Trata-se de uma ferramenta versátil, visto que é um construtor de fertilidade química, física e biológica no perfil do solo, seja ele aplicado antes, durante ou depois da semeadura.  Para finalizar, como foi dito na Farm Progress 2025, uma importante referência do agro brasileiro e um dos idealizadores do notável projeto A Raiz da Solução: “Gesso é uma questão de segurança nacional”.

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