Para um sistema produtivo agrícola sustentável, diversas práticas de manejo podem ser adotadas visando a construção de um perfil de solo com fertilidade adequada que atenda às necessidades das plantas.
O fosfogesso (anteriormente chamado de gesso agrícola) faz parte das práticas de manejo para sistemas de altas produtividades e deve ser recomendado e aplicado segundo as técnicas agronômicas para obter os benefícios desejados.
Continue sua leitura para conhecer como a aplicação do fosfogesso proporciona benefícios à lavoura e quais são as principais práticas de manejo.
O que é e para que serve o fosfogesso?
O fosfogesso (sulfato de cálcio di-hidratado) é um condicionador de solo, caracterizado pela fórmula química CaSO4.2H2O. Ele atua neutralizando o alumínio e fornecendo cálcio e enxofre nas camadas subsuperficiais do solo.
Segundo a legislação brasileira, além de ser enquadrado como condicionador de solo, ele pode ser registrado como fertilizante mineral simples, sendo que nesse caso deve ter garantia mínima de 16% de Ca e 13% S; ou ainda pode ser classificado como corretivo de sodicidade, no qual o sulfato (SO4–) se liga ao sódio (Na), promovendo sua lixiviação.
Qual é a composição do fosfogesso?
O fosfogesso é composto por sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O), proveniente da produção de ácido fosfórico, a partir da reação do ácido sulfúrico com a rocha fosfática. O sulfato de cálcio pode representar até 95% da massa do gesso, e pode apresentar outros compostos como hidróxidos, silicatos, fosfatos e fluoretos.
Como funciona o fosfogesso na agricultura?
O fosfogesso é utilizado na agricultura por trazer diversos benefícios ao desenvolvimento das plantas e ao solo. A seguir, listamos alguns deles:
- Neutralização do alumínio tóxico para as plantas: o gesso CaSO4.2H2O se dissocia na presença de água formando Ca2+, SO42- que são adsorvidos nos coloides do solo. Também ocorre a formação de CaSO40 que percola em camadas subsuperficiais do solo, onde o SO42- se liga ao alumínio (Al3+), ocorrendo sua neutralização (AlSO4+);
- Fornece Ca2+ e SO42-: o gesso é fonte de cálcio e enxofre predominantemente com alta solubilidade e disponibilidade para as culturas, além de apresentar uma ótima relação custo x benefício ao agricultor, em relação a outros fertilizantes minerais. Também apresenta em sua composição, teores que variam de 0,8 a 1,2% de P2O5 solúvel em água;
- Melhoria das condições dos solos sódicos: o fosfogesso contribui para a melhoria dos solos com elevado teor de sais como o Na+, uma vez que o SO42- se liga ao Na+, formando sulfato de sódio (Na2SO4), fazendo com que haja lixiviação do sódio;
- Melhoria nas propriedades físicas do solo: o fosfogesso contribui para menor dispersão da argila, além de melhorar a porosidade e estrutura do solo;
- Contribuição para o desenvolvimento radicular: como consequência da neutralização do alumínio, incremento nos teores de cálcio e enxofre nas camadas subsuperficiais, e melhoria na qualidade física do solo, há maior desenvolvimento das raízes, fazendo com que haja maior exploração de volume de solo, contribuindo para maior absorção de água e nutrientes;
- Uso eficiente da água disponível nos solos: experimentos conduzidos pela Embrapa e Unesp, comprovaram que lavouras tratadas com fosfogesso tiveram incrementos entre 30 a 45% na eficiência do uso da água disponível no solo pela planta, devido à melhor arquitetura, comprimento e volume radicular, o que proporcionou taxas de absorção significativamente maiores em relação às plantas que não receberam fosfogesso.

Figura 1. Benefícios do uso de gesso como condicionador de solo
Como aplicar o fosfogesso na lavoura?
O fosfogesso deve ser aplicado na lavoura sempre com a recomendação técnica do agrônomo. Existem diversos métodos de recomendação de gesso agrícola, entre eles o método que utiliza como critério a saturação de bases (Vitti et al., 2008), outro método relacionado com a textura do solo (Sousa e Lobato, 2005), e também o método considerando a elevação da saturação de Ca2+ na CTC efetiva (Caires e Guimarães, 2018).
Além disso, a cultura também deve ser considerada para recomendação de aplicação de fosfogesso. Por exemplo, no método de recomendação de gesso no Boletim Cerrado (Sousa e Lobato, 2005) a dose recomendada difere para culturas anuais e perenes.
A aplicação do fosfogesso pode ser feita a lanço na superfície do solo, sem necessidade de incorporação, devido ao seu elevado grau de solubilidade, podendo ser aplicado poucos dias antes da semeadura ou plantio, pois sua solubilização no solo é muito rápida e requer uma lâmina de água de chuva ou irrigação muito menor do que aquela demandada para a reação do calcário aplicado ao solo.
Quando não é ideal a aplicação de fosfogesso?
Não é ideal aplicá-lo quando os parâmetros químicos do solo estão adequados e não há presença de alumínio em camadas subsuperficiais, ou se o teor de Ca2+ e saturação por bases estiverem adequadas em camadas subsuperficiais.
As condições de solo para recomendação de gesso dependerão do método a ser utilizado:
- Textura do solo: Teor de Ca2+ < 0,5 cmolc/dm³ na camada subsuperficial;
- Elevação da saturação de bases: Ca2+ <0,5 cmolc/dm³, ou Al3+ > 0,5 cmolc/dm³, ou m% >20%, ou V% <35% na camada subsuperficial;
- Elevação da saturação de Ca2+ na CTC efetiva: é recomendada quando a saturação de Ca2+ na CTC efetiva < 54% na camada subsuperficial.
Entretanto, se a aplicação do fosfogesso tiver como objetivo o fornecimento dos nutrientes Ca e S para as culturas, a recomendação deve ser feita com base na necessidade na cultura e nos teores dos nutrientes no solo, seguindo a técnica agronômica.
O que fazer em caso de exposição à pele e aos olhos?
Em caso de contato com o produto:
- Pele: Lavar a pele exposta com quantidade suficiente de água para remoção do material;
- Olhos: Enxaguar cuidadosamente com água durante vários minutos. No caso de uso de lentes de contato, remova-as. Caso a irritação ocular persista, procure assistência médica;
- Inalação: Buscar um local ventilado.
Quais os efeitos colaterais do fosfogesso?
A exposição ao fosfogesso pode provocar irritação moderada à pele com vermelhidão e ressecamento. O contato com o produto pode ocasionar leve irritação ocular, com lacrimejamento e vermelhidão.
Ao notar sintomas após o manuseio do produto procure assistência médica e informe o ocorrido, apresentando a etiqueta ou a FISPQ do produto.
Recomendações de manuseio e armazenamento
Para garantir segurança e eficiência:
- Manuseie em uma área ventilada ou com sistema geral de ventilação/exaustão local. Evite formação de poeiras. Caso necessário, utilize equipamento de proteção individual. Evite contato com materiais incompatíveis.
- Armazene em local bem ventilado e longe da luz solar. Para armazenamento a granel, o material deverá ser armazenado em área ou pátio, com medidas de contenção que garantam a proteção do solo, água subterrânea e corpos hídricos. Não é necessária adição de estabilizantes e antioxidantes para garantir a durabilidade. Mantenha afastado de materiais incompatíveis.
- Lave as mãos e o rosto cuidadosamente após o manuseio e armazene os equipamentos de proteção de maneira adequada.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre calcário e fosfogesso?
O calcário tem baixa solubilidade e mobilidade no solo, é utilizado para elevação de pH, corrigindo a acidez, neutralizando o alumínio (Al+3) e e fornecendo cálcio e magnésio na camada superficial do solo. O fosfogesso não corrige acidez do solo, ele atua neutralizando o alumínio (Al3+) nas camadas subsuperficiais do perfil do solo, que é tóxico para as plantas. O fosfogesso (CaSO4.2H2O) se dissocia em Ca2+ e SO42-, sendo importante fonte de cálcio e enxofre para as culturas agrícolas e pastagens. Assim, o fosfogesso e o calcário são produtos complementares que contribuem para as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, favorecendo um sistema sustentável.
Posso utilizar o fosfogesso como fonte de enxofre?
Sim, o fosfogesso pode ser utilizado como fonte de enxofre, pela sua dissociação em sulfato (SO42-), entretanto deve-se atentar para perdas do nutriente por lixiviação uma vez que ele possui alta mobilidade no solo, quando ministrado em altas doses em solos com textura mais leve (arenosos).
A amostragem de solo para recomendação de gesso deve ser feita em qual profundidade do solo?
A camada diagnóstica para a recomendação de fosfogesso é a camada subsuperficial, sendo de 20-40 cm e 40-60 cm para culturas anuais e acrescentando a camada de 60-80, podendo chegar a 100 cm para culturas perenes (Sousa et al., 2005).
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