Zinco na soja: para que serve e como aplicar no solo

22 jan, 2024
Agrônoma Aline Peregrina Puga
- Tempo de Leitura: 8 minutos
Zinco na soja - Folhas de uma lavoura de soja com vários tons de verde.

O zinco na soja desempenha um papel fundamental no fortalecimento das plantas contra o estresse, na síntese de proteínas, na preservação da integridade da membrana e no desenvolvimento dos grãos.

Em geral, esse micronutriente influencia o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das plantas de soja. Gostaria de descobrir as perguntas frequentes sobre a adubação com zinco na soja? Encontre as respostas em nosso artigo.

Zinco na soja: micronutriente essencial para o desenvolvimento e produtividade

Na nutrição de plantas 17 elementos (C, O, H, N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Ni e Zn) são considerados essenciais, classificados como nutrientes por atenderem os critérios de essencialidade:

  • i. sua deficiência é um impeditivo para a planta completar seu ciclo de vida;
  • ii. não pode ser substituído por nenhum outro;
  • iii. participe de forma direta no metabolismo da planta.

Cada nutriente participa de um ou mais processos bioquímicos e apresentam funções fisiológicas específicas, garantindo bom funcionamento da maquinaria vegetal.

Todos os nutrientes são de suma importância, embora haja uma separação em função das quantidades absorvidas pelas culturas agrícolas:

  • Macronutrientes (expresso em g kg-1 de matéria seca): nutrientes exigidos em maiores quantidades – nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S);
  • Micronutrientes (expresso em mg kg-1 de matéria seca): nutrientes exigidos em menores quantidades – ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu), boro (B), cloro (Cl), níquel (Ni) e molibdênio (Mo).

Os micronutrientes, em diversas situações de cultivo, podem tornar-se limitantes para a obtenção de produtividades adequadas, sendo este problema mais acentuado com o cultivo intensivo dos solos e principalmente em solos arenosos. O interesse nos micronutrientes se elevou nos últimos anos em função do aumento das taxas de extração de nutrientes por cultivares modernos com altos tetos produtivos e, consequentemente, altas taxas de remoção de nutrientes em detrimento das colheitas.

Embora o zinco, assim como os outros micronutrientes, seja exigido em baixas quantidades pelas plantas, a deficiência deste elemento nas culturas é generalizada no mundo todo (IPNI, 2023), contribuindo para que um terço da população humana sofra com a deficiência de zinco na sua dieta.

Zinco no solo e fatores que afetam sua disponibilidade

Na solução do solo o zinco está presente como cátion divalente (Zn2+) e possui limitada mobilidade no solo, em decorrência da fixação pela por argilas, óxidos e hidróxidos de Fe e matéria orgânica. O contato íon-raiz é ocorre por difusão e a disponibilidade de zinco depende de fatores como:

    • pH do solo: quanto maior o pH menor a disponibilidade de zinco (Figura 1) pela maior ocorrência de adsorção por minerais de argila, óxidos de Fe e de Al, bem como carbonatos de Ca. A maior disponibilidade ocorre na faixa de pH 5,0 a 6,0. Em função deste comportamento, por exemplo, em solos arenosos (geralmente com menor CTC), quando estes receberam elevadas doses de calcário, são solos que apresentam potencial de ocorrer menor disponibilidade de zinco e, portanto, merecem atenção maior quanto ao manejo da adubação;

      Gráfico que mostra a disponibilidade de nutrientes em função do pH do solo.

      Figura 1. Disponibilidade de nutrientes em função do pH do solo – Fonte: Adaptado de Malavolta (1980)

  • matéria orgânica do solo: a matéria orgânica do solo atua não apenas como fonte de nutrientes, mas também contribui para estruturação do solo e afeta diretamente a CTC e a disponibilidade de nutrientes. No caso do zinco, normalmente em solos com baixo teor de matéria orgânica, pode-se encontrar em geral baixa disponibilidade deste micronutriente. Todavia, mesmo em solos onde os teores de matéria orgânica são maiores, em função das interações de complexação do zinco com a matéria orgânica, ainda assim pode ocorrer baixa disponibilidade do micronutriente às plantas;
  • umidade do solo: o mecanismo de transporte de zinco ocorre principalmente por difusão e, dessa forma, a falta de água pode inibir o processo e o desenvolvimento das raízes, prejudicando a absorção pelas plantas;
  • adubação fosfatada: altas doses de fertilizantes fosfatados em solos com baixo teor de zinco pode induzir a deficiência deste micronutriente. A diminuição da disponibilidade zinco neste caso ocorre indiretamente, pois a adubação fosfatada reduz a formação de micorrizas que contribuem para absorção deste elemento pelas plantas.

Importância do zinco na soja e sua dinâmica no metabolismo vegetal

O zinco desempenha um papel primordial na tolerância das plantas ao estresse, na síntese de proteínas, na integridade da membrana e na formação de grãos. De maneira geral, este micronutriente influencia o crescimento, desenvolvimento e produção das plantas de soja.

O zinco é um ativador e constituinte enzimático primordial para a cultura da soja e todas as outras. De acordo com Malavolta e outros pesquisadores, o zinco não possui função estrutural, mas é essencial para ativação das importantes enzimas, tais como: anidrase carbônica, isomerase de fosfomanose, desidrogenase láctica, desidrogenase alcoólica, aldolase, desidrogenase glutâmica, carboxilase pirúvica, sintetase do triptofano, ribonuclease, dentre outras. Estas enzimas estão envolvidas em processos essenciais como respiração, controle hormonal e síntese de proteínas.

Funções do zinco nas culturas:

  • O zinco é requerido para a síntese do aminoácido triptofano, um precursor do ácido indolacético (AIA), que é um fito hormônio. Assim, sua deficiência pode afetar o crescimento da planta, principalmente apical;
  • O zinco faz parte da RNA polimerase – enzima que sintetiza RNA, e inibe a RNAase, que desintegra o RNA. Além disso, faz parte de proteínas ativas e dos ribossomos, local da síntese proteica. Na sua deficiência pode haver diminuição do nível de RNA, menor síntese de proteína e dificuldade na divisão celular;
  • O zinco, juntamente com o cobre, faz parte da estrutura da enzima superóxido dismutase. Ou seja, na sua falta, as células podem ser afetadas por radicais oxidantes e prejudicar a integridade das membranas. Sem a presença do zinco as plantas podem ficar suscetíveis durante a ocorrência de estresse.

Na Tabela 1 contém uma previsão da necessidade nutricional da cultura da soja para uma produtividade de 80 sacas por hectare. O zinco na soja é o segundo micronutriente mais exportado e pode apresentar índice de colheita (quantidade do nutriente no grão em relação a quantidade total acumulada na parte aérea) de mais de 60%.

Tabela 1. Extração e exportação de nutrientes para a cultura da soja, considerando produtividade de 80 sc/ha.

Demanda

N

P2O5

K2O

Ca Mg S B Cu Mn Zn Fe Mo
 _________________________ kg/ha  _________________________ _________________________ g/ha  _________________________

Extração

438

105

250

99

50

39

311 168 630 358 2162 25

Exportação

273

64

99

13

12

19 114 90 139 248 362 24

Índice de colheita (%)

62

61

40

13

24

48 37 54 22 69 17 96

Fonte: Mosaic (2016) – estimativa realizada a partir da média de 13 autores.

Do total de zinco absorvido e acumulado na soja (Figura 2) a maior fração encontra-se nos grãos, depois nas folhas, hastes e pecíolos e por fim nas flores e vagens, sendo que a maior exigência está entre os estádios R4 a R8.

Gráfico que mostra a quantidade de zinco absorvida pelas plantas (g/ha) e distribuição do zinco absorvida nas diferentes partes das culturas em função dos dias após o plantio da cultura da soja.

Figura 2. Quantidade de zinco absorvida pelas plantas (g/ha) e distribuição do zinco absorvida nas diferentes partes das culturas em função dos dias após o plantio da cultura da soja. Fonte: Adaptado de Bender et al. (2015)

Sintomas de deficiência de zinco na soja

Quando o teor de um nutriente é insuficiente as plantas podem apresentar sintomas visuais e sofrer com estresses abióticos e/ou bióticos, resultando em baixa produtividade. O zinco possui mobilidade restrita na planta e, portanto, os primeiros sintomas de deficiência podem aparecer nas folhas novas.

Os efeitos do suprimento limitado de zinco podem variar de acordo com a espécie, mas, geralmente, as plantas apresentam dificuldade para crescer normalmente e os sintomas mais comuns da deficiência são:

  • Encurtamento de internódios;
  • Formação de “roseta” = formação de nós sucessivos e aproximação das folhas;
  • Folha apresenta tamanho menor;
  • Folhas novas com clorose internerval;
  • Menor desenvolvimento radicular;
  • Folhas podem tornar-se torcidas e necróticas;
  • Redução de florescimento e frutificação.

Especificamente para a soja, de acordo com o pesquisador Prado os sintomas são:

  • Folíolos menores;
  • Folíolos com áreas cloróticas entre as nervuras;
  • Morte prematura dos folíolos;
  • Atraso na maturação;
  • Menor produção de vagens.
Imagem de algumas folhas de soja.

Figura 3. Sintomas de deficiência de zinco em soja. Fonte: Hansel e Oliveira (2016)

Doses de aplicação de zinco na soja: qual a recomendação?

Em função da elevada extração de zinco pela soja e produtividades cada vez mais crescentes, a adubação para reposição é recomendada para evitar deficiência.

É importante interpretar os resultados da análise de solo de acordo com os níveis críticos estabelecidos para cada região do Brasil, para que a recomendação do manejo da adubação seja assertiva. Salienta-se aqui que há diferenças quanto aos extratores químicos utilizados para o zinco nas diversas regiões, como por exemplo, DTPA e Mehlich-1. Outra ferramenta importante de diagnóstico é a diagnose foliar, no qual, a amostragem de folha deve seguir procedimento específico e amostragem para cada cultura.

Aumento na produtividade da soja foram verificados por Inocêncio e outros pesquisadores quando realizada adubação com zinco, mesmo em solo com o teor elevado (3,6 mg dm-3). Experimentos a campo demonstraram que aplicações sucessivas de zinco na cultura da soja resultou no aumento do teor de óleo e proteína das sementes.

As doses de zinco recomendadas para a cultura da soja variam entre 1,5 a 5 kg/ha, de acordo com os Manuais do Cerrado (2002), Nepar (2019) e Boletim 100 (2022). Salienta-se que as doses dependem do teor de zinco no solo e nível crítico considerado, expectativa de produção e balanço de nutrientes (extração e exportação pela cultura). 

Qual é a melhor forma de aplicação e fonte de fertilizante com zinco para a soja?

É essencial conhecer as exigências nutricionais das culturas e os avanços tecnológicos dos sistemas produtivos, para fomento do manejo eficiente e assertivo da cultura e aumento de produtividade.

Os micronutrientes podem ser aplicados via folha no qual há vantagem, em alguns casos, relacionada a rápida resposta das plantas quando há sintomas de deficiência, podendo minimizar perdas de produtividade, por exemplo. As desvantagens desta prática são problemas com compatibilidade na calda e a possibilidade de diminuição da eficiência de certos elementos em soluções multinutrientes.

Ressalta-se que a adubação via foliar deve ser idealmente pensada em estratégia complementar ao programa de manejo da fertilidade do solo, sendo sempre preconizado o correto posicionamento de nutrientes preferencialmente para aplicação via solo, forma preferencial de absorção e aproveitamento pelas culturas.

A absorção de micronutrientes pelas plantas depende em grande parte de sua disponibilidade no solo. Respostas positivas de produtividade em várias culturas, incluindo soja, foram observadas quando micronutrientes foram aplicados juntamente com macronutrientes. A aplicação no solo também disponibiliza os nutrientes para a planta desde o início do ciclo, garantindo que não haja deficiência nos primeiros estágios.

É fundamental que a fonte de adubação de zinco utilizada seja solubilizada em tempo compatível com a absorção pelas raízes e seja aplicada próxima a área de exploração do sistema radicular, facilitando a difusão.

É comum a mistura de fontes de micronutrientes com mistura de grânulos NPK. Todavia, a principal questão é a ocorrência de segregação durante a mistura, manuseio e aplicação, pela diferença de granulometria das matérias-primas, acarretando baixa eficiência agronômica.

Além disso, outro obstáculo é o número de pontos da área que está sendo fertilizada que efetivamente recebe o micronutriente.

A incorporação de fontes de zinco em misturas granuladas adiciona o micronutriente de forma uniforme nos grânulos, eliminando problemas com segregação e uniformidade de distribuição na lavoura.

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