No dia 20 de março, celebramos o Dia Mundial da Agricultura, uma data que destaca a importância dessa atividade milenar que sustenta a humanidade. A agricultura não só fornece alimentos, mas também é crucial para a economia, a sustentabilidade e o desenvolvimento social.
Neste artigo, vamos explorar 5 curiosidades sobre a agricultura no Brasil, considerado como um dos maiores expoentes do agronegócio mundial, e alguns números de destaque. Boa leitura!
Destaque no PIB
A agricultura é essencial para a economia do Brasil e tem passado por evoluções significativas desde que foi introduzida no país até os dias de hoje.
De acordo com uma análise do CEPEA em 2024, o agronegócio contribuiu com aproximadamente 22% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em outras palavras, quase um quarto da riqueza nacional é originada das atividades agrícolas.
Além disso, estados como Mato Grosso e Paraná são exemplos notáveis de regiões onde a agricultura tem um impacto expressivo, representando mais de 50% e 33% do PIB estadual, respectivamente.
Culturas diversas

O Brasil destaca-se pela vasta diversidade de culturas agrícolas, sendo um dos maiores produtores mundiais de diversos cultivos. Entre os principais estão a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e a laranja.
Assim, a soja é a principal cultura agrícola do Brasil, com um faturamento de R$ 368,34 bilhões em 2023. O país é o maior produtor mundial de soja, com uma produção de aproximadamente 154,6 milhões de toneladas na safra 2022/2023. A soja é cultivada em uma área de 44 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3.508 kg/ha. Mato Grosso é o maior estado produtor, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul.
Já o milho ocupa a segunda posição entre as culturas mais cultivadas no Brasil, com uma produção estimada de 130 milhões de toneladas na safra 2022/2023. Ele é essencial tanto para a alimentação humana quanto animal, sendo utilizado na produção de rações para aves, suínos e bovinos. A cultura do milho é bastante diversificada, com variedades e finalidades diferentes, como: grão, silagem e pipoca.
Por outro lado, a cana-de-açúcar tem uma longa história no Brasil, sendo introduzida pelos portugueses no século XVI. Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com destaque para a produção de etanol, um biocombustível sustentável. A maior parte dos canaviais está localizada no interior de São Paulo, mas a cultura também é significativa em estados como Goiás, Minas Gerais e Paraná.
Além disso, o café é uma das culturas mais tradicionais do Brasil, com início no século XVIII. O país é o maior produtor mundial de café, com uma produção de cerca de 2,2 milhões de toneladas em 2022. As principais regiões produtoras são Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. O café brasileiro é conhecido pela sua qualidade e diversidade de sabores, sendo exportado para mais de 145 países.
Por fim, outro motivo para celebrar o Dia Mundial da Agricultura por aqui, é que o nosso país é o maior produtor mundial de laranja, responsável por aproximadamente 50% da produção global. Também lideramos as exportações de suco de laranja, representando cerca de 75% das exportações mundiais.
Assim, a produção de laranja está concentrada principalmente no estado de São Paulo, seguido por Minas Gerais, Bahia e Sergipe. As principais variedades cultivadas incluem a laranja-pera, laranja-lima e laranja-baía.
Único país a ter 3 safras por ano

O Brasil é um dos poucos países no mundo capaz de colher até três safras por ano, devido a diversos fatores, sendo as condições climáticas um dos mais importantes.
A terceira safra já é realidade em culturas como milho e feijão. Essa rotação de culturas permite uma agricultura com maior rentabilidade, sustentabilidade e eficiência no uso de insumos.
A faixa de temperatura ideal para as culturas durante todo o ano no Brasil permite os três plantios durante o ano agrícola. Porém, alguns fatores como precipitação, vazio sanitário e janelas de plantio e colheita podem inviabilizar essa prática. Por outro lado, algumas práticas ajudam no sucesso dessas lavouras:
- Plantio direto: auxilia na manutenção da saúde e umidade do solo, amenizando efeitos do estresse climático;
- Melhoramento genético: o melhoramento genético do milho permite cultivares mais resistentes, de ciclos mais curtos e tolerantes a doenças, conseguindo se adequar às janelas de manejo;
- Irrigação: a possibilidade de desenvolver um sistema de irrigação supera uma das principais dificuldades de uma terceira safra, que é a precipitação;
- Insumos biológicos: produtos como reguladores de crescimento, que amenizam efeitos de estresse abióticos e promovem a saúde do solo, atuam no desenvolvimento da planta, permitindo um melhor resultado.
Tecnologia no campo

A agricultura brasileira tem se beneficiado enormemente das inovações tecnológicas, que têm transformado a maneira como os agricultores gerenciam suas lavouras. Segundo pesquisa realizada pela Embrapa em parceria com o SEBRAE e o Inpe, 84% dos produtores rurais já incorporaram soluções tecnológicas em algum ponto de sua produção agrícola.
Assim, destacando algumas ferramentas, o uso de drones permite um monitoramento aéreo detalhado das plantações, identificando áreas que necessitam de atenção específica, como irrigação ou aplicação de insumos. Além disso, sensores são utilizados para fornecer dados.
Ademais, a análise de big data tem se mostrado uma ferramenta poderosa. Com a coleta e análise de grandes volumes de dados, os agricultores podem prever padrões climáticos, identificar pragas e doenças com antecedência e otimizar o uso de recursos. A inteligência artificial, por sua vez, está sendo utilizada para processar essas informações e fornecer recomendações personalizadas, aumentando a eficiência e a produtividade das lavouras.
Assim, a chamada agricultura 4.0 está revolucionando o setor, tornando-o mais competitivo e sustentável. Essas tecnologias não apenas aumentam a produtividade, mas também reduzem o impacto ambiental, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis.
Por exemplo, a aplicação precisa de insumos reduz o desperdício e a contaminação do solo e da água. Além disso, o monitoramento constante permite uma resposta rápida a qualquer problema, minimizando perdas e garantindo a qualidade dos produtos.
Destaque no uso de bioinsumos

Segundo dados divulgados pela CropLife Brasil (CLB), nosso país tem se destacado no uso de bioinsumos, especialmente na safra 2023/2024. Primeiramente, o mercado de bioinsumos cresceu 15% em comparação à safra anterior, alcançando um faturamento de R$ 5 bilhões. Esse crescimento reflete a demanda por práticas agrícolas mais sustentáveis e a adoção de tecnologias inovadoras.
Além disso, a taxa média anual de crescimento do setor de bioinsumos no Brasil foi de 21% nos últimos três anos, um percentual quatro vezes superior à média global. Esse avanço é impulsionado pela relação custo-benefício dos produtos biológicos e pela sinergia com outras tecnologias agrícolas.
Os principais cultivos que utilizam bioinsumos no Brasil são a soja e o milho, representando 55% e 27% do mercado, respectivamente. A região Centro-Oeste, especialmente o estado do Mato Grosso, lidera a utilização desses produtos. Com esses resultados, o Brasil está se posicionando como um dos líderes mundiais no uso de bioinsumos, com potencial para exportar tecnologias para outros países de clima tropical.
Assim, frente a tantos pontos de destaque e perspectivas promissoras, celebrar o Dia Mundial da Agricultura é reconhecer a importância dessa atividade vital e as inovações que garantem seu futuro promissor!