Uma das etapas cruciais no programa de diagnóstico da fertilidade do solo consiste na avaliação dos indicadores da disponibilidade de nutrientes, através da interpretação dos resultados da análise de solo, de modo a gerar valores orientadores para a recomendação de práticas corretivas e o uso de fertilizantes visando o máximo retorno econômico das lavouras. 

O diagnóstico da fertilidade do solo é feito pelo enquadramento dos resultados das análises de solo em amplitudes de valores (faixas), conforme a resposta relativa em produtividade das culturas, sendo que tais valores foram definidos em experimentos de calibração, por meio de redes de ensaios coordenadas pelas principais instituições de pesquisa do Brasil, servindo de banco de dados para originar os manuais de interpretação de análises de solo e recomendação de adubação para as culturas agrícolas. No caso do fósforo (P), em solos do Brasil, os métodos de análise que tiveram esta calibração realizada em diferentes regiões e solos foram o Mehlich-1 e Resina. 

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O que é o Nível Crítico de Fósforo? 

A calibração dos métodos analíticos para interpretação da disponibilidade de P envolve inicialmente a correlação entre os teores de P observados no solo e a resposta em produtividade resultante da adição ou não de fertilizantes fosfatados. A partir dos rendimentos relativos observados, define-se a correlação entre o teor de P no solo correspondente à disponibilidade para obtenção da produção de máxima eficiência econômica, por convenção definida a 90% da produção relativa máxima, estabelecida experimentalmente em condições em que os demais nutrientes e fatores de produção encontram-se em níveis adequados. A este teor encontrado nas análises de P pelos métodos Mehlich-1 ou Resina dá-se o nome de nível crítico (NC) de fósforo. 

Como identificar o Nível Crítico nas interpretações de análises de solo? 

A partir do NC, é possível definir para cada método de análise da disponibilidade de P (Resina e Mehlich-1) a faixa adequada (ou alto, em alguns manuais), representada pelo intervalo entre o teor equivalente ao NC até o teor do nutriente na análise de solo que corresponda a duas vezes o NC. Já as classes de disponibilidade de P inferiores ao nível crítico, médio, baixo e muito baixo são definidas tendo como base o nível crítico como limite superior. Por sua vez, a classe de disponibilidade de P muito alta, faixa que se inicia a partir do teor equivalente ao NC até o teor de P no solo 2 vezes o NC, corresponde à disponibilidade do nutriente onde as práticas de adubação podem seguir apenas o princípio da restituição, ou seja, apenas a reposição do nutriente exportado pela cultura por ocasião da colheita.

Os intervalos entre o NC e o teor equivalente a 70% da resposta relativa da produção compreende a classe de disponibilidade média, sendo que as classes baixo e muito baixo correspondem às regiões de resposta relativa de 50% a 70% e abaixo de 50%, respectivamente. A Figura 1 ilustra a evolução do rendimento relativo das culturas em função dos teores disponíveis de P no solo, identificando as classes de disponibilidade de P de acordo com os manuais para a região de SP e do Cerrado.

Em níveis de P no solo acima do NC pode-se adotar a adubação de manutenção, ou seja, apenas a reposição das necessidades de extração das culturas, ou ainda preconizar a adubação fosfatada visando a reposição das quantidades a serem exportadas do nutriente, nos casos em que os teores disponíveis estiverem em níveis muito altos. Entretanto, em condições de disponibilidade de P abaixo do NC, deve-se realizar o manejo da adubação fosfatada levando em consideração as necessidades das culturas, porém também considerar que a maior parte do P a ser aplicado irá contribuir para a elevação dos níveis de P do solo, incorporando ao programa de manejo da adubação a correção do P do solo e a esta adicionar a adubação de manutenção.

Veja mais em: Sua análise de solo está em dia? 

Usando corretamente as análises de solo para a recomendação de adubação

Para facilitar a tomada de decisão quanto à adubação, levando em conta conceitos como o do nível crítico de P e todos os demais princípios e leis que orientam o programa de fertilidade do solo para o manejo eficiente da adubação das culturas, com vistas a máxima produtividade econômica, a Mosaic Fertilizantes disponibiliza o aplicativo Nutrição de Safras, uma solução digital disponível para uso mobile, que além de reunir todos os principais boletins de recomendação do Brasil, oferece laudos de interpretação de análises de solo e recomendação de adubação para as principais culturas agrícolas. 

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Eng. Agr Dr. Marcos Rodrigues

Especialista agronômico – Mosaic Fertilizantes

REFERÊNCIAS:

1 ALVAREZ V., V.H.; NOVAIS, R.F.; BARROS, N.F.; CANTARUTTI, R.B.; LOPES, A.S. Interpretação dos resultados das análises de solos. In: RIBEIRO, A.C.; GUIMARÃES, P.T.G.; ALVAREZ V., V.H., eds. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5ª Aproximação. Viçosa, MG, Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. P.25-32.

2 TISDALE, S.I.; NELSON, W.L; BEATON, J.D. Soil fertility and fertilizers. New York, Macmillan Publishing Company, 1984. 754p.

3 CANTARUTTI, R. B.; BARROS, N. F.; MARTINEZ, H. E. P.; NOVAIS, R. F. Avaliação da fertilidade do solo e recomendação de fertilizantes. In: NOVAIS, R. F.; ALVAREZ, V. H.; BARROS, N. F.; FONTES, R. L. F.; CANTARUTTI, R. B.; NEVES, J. C. L. Fertilidade do solo. Viçosa, MG, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p. 769-850.

4 COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO DO RS/SC (CQFS RS/SC). Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10.ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo/Núcleo Regional Sul, 2004. 400p.

5 RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J.A.; FURLANI, A.M.C., (Eds.). Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2.ed. rev. Campinas: Instituto Agronômico & Fundação IAC, 1997. 285p. (Boletim técnico, 100).

6 SOUSA, D.M.G; LOBATO, E. Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Brasília, DF, Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 416p.

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