Conheça os principais tipos de solo e suas características

10 abr, 2024
Déborah Fernandes
- Tempo de Leitura: 7 minutos
tipos de solo

Entender os tipos de solo é fundamental para qualquer atividade agrícola. Cada solo possui características únicas que influenciam desde a escolha das culturas até as práticas de manejo necessárias para otimizar a produção. A diversidade de solos no Brasil, por exemplo, requer uma compreensão detalhada para garantir que cada metro quadrado de terra seja utilizado da maneira mais eficiente possível.

Neste contexto, surge a pergunta: como as características específicas dos solos afetam o cultivo de safras agrícolas? E mais importante, quais estratégias e tecnologias podem ser empregadas para enfrentar os desafios apresentados por cada tipo de solo? Continue lendo e descubra.

Quais são os tipos de solo?

O Brasil, com sua vasta extensão territorial e diversidade climática, abriga uma rica variedade de solos, cada um com características únicas que refletem as interações entre o material de origem, clima, relevo, organismos e o tempo.

A seguir, exploraremos as características, ocorrências e importâncias desses 13  diferentes tipos de solo no Brasil, segundo informações disponibilizadas pela Embrapa. Acompanhe:

Argissolo

Solos formados principalmente por uma camada rica em argila logo abaixo da superfície. Essa argila pode ser do tipo que retém poucos nutrientes ou, se retém mais nutrientes, isso ocorre com uma baixa disponibilidade de nutrientes essenciais ou a presença marcante de alumínio nessa camada.

Cambissolo

São ainda jovens e mantêm muitas características da rocha de onde se originaram, o que é notável pela presença de minerais não transformados. Eles são classificados pela existência de uma camada inicial, chamada horizonte B, que está começando a formar sua estrutura. Dependendo da quantidade de nutrientes disponíveis, podem ser pobres em nutrientes (distróficos) ou ricos (eutróficos), e a capacidade de retenção de água e nutrientes pela argila pode variar.

Chernossolo

Formados por minerais, podem ser identificados por sua camada superior rica e fértil. Abaixo dessa, podem apresentar uma de três características: uma camada inicial de desenvolvimento rica em argila e nutrientes; uma camada rica em calcário, que pode estar na mesma profundidade da camada fértil ou mais abaixo; ou uma camada próxima à superfície com uma alta concentração de calcário. 

Por fim, esses solos variam em profundidade e geralmente têm uma baixa capacidade de absorver água rapidamente.

Espodossolo

Os Espodossolos são um tipo de solo com características únicas, incluindo a presença do horizonte B espódico, uma camada rica em matéria orgânica, alumínio e, às vezes, ferro, resultante da migração desses elementos de camadas superiores. Eles são predominantemente arenosos e tendem a ter baixa disponibilidade de nutrientes, o que os torna menos férteis. 

Além disso, a textura arenosa contribui para uma drenagem rápida, mas também significa que esses solos retêm menos água e nutrientes.

Gleissolo

Gleissolos são um dos tipos de solo que possuem características específicas de umidade. Eles contêm uma camada chamada “glei” perto da superfície, indicando que o solo é frequentemente saturado ou encharcado com água.

Latossolo

Os Latossolos são solos extremamente desgastados pelo tempo, com uma reserva muito limitada de nutrientes essenciais para as plantas. Eles são majoritariamente ácidos e pobres em nutrientes, com mais de 95% classificados como distróficos, tendo um pH que varia entre 4,0 e 5,5 e níveis muito baixos de fósforo disponível. Essa combinação resulta em desafios significativos para a fertilidade do solo. 

Luvissolo

Esses solos, que variam de rasos a um pouco profundos, apresentam um horizonte B textural enriquecido com argila, sobreposto por um horizonte A claro e fino, com estrutura pouco desenvolvida. Eles tendem a ser de moderadamente ácidos a neutros, possuem alta saturação de bases, como o potássio, tornando-os nutritivos para as plantas. Frequentemente, há presença de pedras tanto na superfície quanto no interior do solo e uma crosta superficial que os torna propensos à erosão.

Neossolo

Neossolos são solos pouco evoluídos constituídos por material mineral ou por material orgânico com menos de 20 cm de espessura, não apresentando qualquer tipo de horizonte B diagnóstico.  

Segundo a classificação da Embrapa, eles são considerados solos jovens, mantendo muitas características do material de onde vieram, sem camadas distintas formadas. Os Neossolos podem ser ácidos ou alcalinos, ter baixa ou alta fertilidade, variar de rasos a profundos e de pouca a muita capacidade de absorver água.

Nitossolo

Os Nitossolos são solos formados principalmente de material mineral, caracterizados pela presença de um horizonte B nítico. Este horizonte se destaca pelo desenvolvimento de sua estrutura e por uma certa impermeabilidade, mas não apresenta um aumento significativo de argila como em outros tipos de solo.  

Geralmente são de moderadamente ácidos a ácidos e podem ter alta ou baixa fertilidade. Os Nitossolos têm grande potencial agrícola, especialmente em áreas planas devido à sua profundidade e fertilidade.

Organossolo

Os Organossolos são solos originados de materiais predominantemente orgânicos, ricos em resíduos vegetais em diferentes estágios de decomposição, que podem estar misturados com camadas minerais. 

Segundo a Embrapa, são caracterizados por horizontes orgânicos escuros, variando do preto ao marrom escuro, e geralmente são bastante ácidos, com uma capacidade alta de trocar íons, mas com baixa disponibilidade de nutrientes básicos, podendo também apresentar altos níveis de alumínio.

Planossolo

Os Planossolos são solos que geralmente se encontram em áreas costeiras baixas, planas ou levemente onduladas. Eles começam com uma camada superficial arenosa ou de textura média, seguida por um horizonte B plânico denso e pouco permeável, característico por sua argila e má drenagem, que pode reter água temporariamente. 

Essa característica contribui para a formação de lençóis de água estagnada. Apesar de terem uma capacidade elevada de troca de cátions e alta fertilidade potencial devido à abundância de minerais que se desintegram facilmente, a drenagem inadequada pode limitar seu uso agrícola até que sejam adequadamente manejados para evitar encharcamento. 

Plintossolo

Os Plintossolos são solos formados por material mineral, notáveis por conterem um horizonte plíntico, caracterizado pelo acúmulo de ferro que atua como cimento natural. Eles tendem a ser fortemente ácidos e podem ter baixa ou alta fertilidade, embora a baixa fertilidade seja mais comum. 

Alguns desses solos também têm propriedades relacionadas ao sódio. Com potencial para agricultura, especialmente para cultivo de arroz. Contudo, o uso agrícola é limitado pela baixa fertilidade natural e alta acidez, exigindo correção da acidez do solo e adubação específica para cada cultura.

Vertissolo

Esses solos expandem e contraem significativamente com as mudanças na umidade, formando grandes fendas quando secos e sendo muito pegajosos quando úmidos. Essas propriedades afetam o preparo do solo para agricultura. Os Vertissolos têm excelente capacidade de retenção de nutrientes, beneficiando o potencial nutricional das plantas. 

Contudo, sua baixa permeabilidade limita a drenagem, apresentando desafios para uso agrícola, especialmente em áreas planas ou suavemente onduladas onde são comumente encontrados.

Como as características dos tipos de solo influenciam o cultivo de safras agrícolas?

As características dos tipos de solo influenciam significativamente o cultivo de safras agrícolas de diversas maneiras, determinando não só quais culturas podem ser mais bem-sucedidas em determinadas regiões, mas também as práticas de manejo e os tratamentos necessários para otimizar a produção. Aqui estão alguns dos aspectos mais críticos:

  • Textura do Solo: a proporção de areia, silte e argila afeta a drenagem, a retenção de água e a aeração. Os Argissolo retêm mais água, mas são menos aerados e mais difíceis de trabalhar. Solos arenosos, como os Espodossolo, drenam rapidamente, mas podem reter menos nutrientes e água, exigindo irrigações mais frequentes.
  • Fertilidade do Solo: a capacidade do solo de fornecer nutrientes essenciais às plantas é crucial. A presença de matéria orgânica, o pH do solo na agricultura e a disponibilidade de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio podem influenciar a escolha das culturas e a necessidade de fertilizantes.
  • pH do Solo: o pH afeta a disponibilidade de nutrientes no solo e a capacidade das plantas de absorvê-los. Alguns cultivos preferem solos mais ácidos, enquanto outros prosperam em condições mais alcalinas.
  • Profundidade do Solo: solos profundos, Latossolos e Argissolos, permitem um melhor desenvolvimento das raízes, o que é benéfico para culturas que necessitam de mais suporte e acesso à água e nutrientes. Solos rasos, Cambissolos, limitam o crescimento das raízes e podem afetar adversamente o rendimento das culturas.
  • Estrutura do Solo: uma boa estrutura de solo permite uma excelente drenagem, aeração e desenvolvimento radicular. A compactação do solo pode restringir o crescimento das raízes e reduzir a eficiência da absorção de água e nutrientes.
  • Capacidade de Retenção de Água: essencial para sustentar as culturas entre as irrigações ou chuvas, especialmente em regiões com longos períodos secos. A capacidade do solo de reter água é influenciada pela sua textura, estrutura e matéria orgânica.
  • Presença de Sal ou Sódio: solos salinos ou sódicos podem impedir o crescimento de muitas culturas devido à toxicidade, ou à interferência na absorção de água pelas plantas. Em tais casos, práticas especiais de manejo ou a escolha de culturas tolerantes podem ser necessárias.

Como realizar a classificação dos solos?

Para classificar os solos de maneira sistemática, siga este passo a passo simplificado:

1. Coleta de Amostras de Solo:

  • Escolha locais representativos da área de interesse.
  • Colete amostras de solo em diferentes profundidades para capturar a variação vertical dos solos.

2. Análise de Laboratório:

  • Envie as amostras para um laboratório especializado.
  • Realize análises físicas para determinar a textura, estrutura, e porosidade do solo.
  • Realize análises químicas para medir pH, teores de nutrientes, e salinidade.

3. Identificação de Horizontes do Solo:

  • Examine as amostras ou perfis de solo para identificar os horizontes (camadas distintas).
  • Registre características como cor, textura, e presença de matéria orgânica ou minerais.

4. Aplicação de Critérios de Classificação:

  • Consulte um sistema de classificação de solos reconhecido, como o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) da Embrapa.
  • Aplique os critérios diagnósticos específicos, como a presença de horizontes característicos, propriedades físicas e químicas, para identificar a ordem do solo.

5. Categorização Final:

  • Com base nos critérios aplicados, classifique o solo em sua ordem, subordem, grande grupo, subgrupo, família e série, conforme apropriado.
  • Documente a classificação e as propriedades observadas para referência futura.

6. Interpretação para Uso e Manejo:

  • Utilize a classificação obtida para interpretar a capacidade de uso do solo, identificando as melhores práticas de manejo e culturas adequadas para otimizar a produção agrícola e conservação do solo.

Este processo detalhado ajuda a entender as características únicas de cada tipo de solo, facilitando decisões informadas sobre uso, manejo e conservação.

Quais são os melhores métodos de manejo agrícola para cada tipo de solo?

Os melhores métodos de manejo agrícola variam significativamente conforme o tipo de solo, cada um requerendo estratégias adaptadas às suas características únicas para otimizar a produtividade e a saúde do solo.

Para solos argilosos, como os Latossolos, práticas como a rotação de culturas e a adubação verde são fundamentais para manter a estrutura do solo e evitar a compactação. Já em solos arenosos, como os Arenossolos, o uso de cobertura morta e sistemas de irrigação eficientes ajudam a reter a umidade e os nutrientes.

Solos salinos ou sódicos, por outro lado, podem necessitar de técnicas de lavagem para remover o excesso de sais e a aplicação de gesso agrícola para corrigir a sodicidade.

Otimizando o Manejo Agrícola para Diversos Tipos de Solo

Reconhecendo a diversidade dos solos e suas necessidades específicas, os agricultores podem adotar métodos e tecnologias inovadoras para melhorar a saúde do solo, a retenção de água e nutrientes, e, consequentemente, a produtividade das safras.

Para explorar soluções específicas que possam auxiliar no manejo eficiente dos diferentes tipos de solo, acesse Nutrição de Safras e descubra como potencializar a saúde do seu solo e a produtividade das suas culturas.

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