Solo arenoso: como manejá-lo com foco na produção sustentável

15 dez, 2022
Flavio G. Bonini
- Tempo de Leitura: 7 minutos
Agricultora segurando solo arenoso

Os solos são o resultado de processos físicos, químicos e biológicos atuando por milhões de anos sobre uma camada superficial de minerais que compõem a crosta terrestre. Durante este tempo, fatores como o relevo, clima e microorganismos alteram estes minerais transformando estruturas duras e cristalinas em partículas de diversos tamanhos. Estas partículas podem ter desde alguns centímetros a até milésimos de milimetro de diâmetro e a elas dá-se o nome de frações granulométricas, sendo que argila, silte e areia são as frações mais conhecidas e importantes para o entendimento do solos. A proporção entre argila, silte e areia define uma característica importante dos solos que é a textura e que pode ser estimada tanto a campo, por uma avaliação ao tato, quanto em laboratório por métodos analíticos mais precisos e apresenta uma correlação muito forte com a forma com que os solos armazenam água, ar, nutrientes e reagem aos manejos. Os indicadores de textura estão presente em diversos critérios para interpretação e recomendação de adubação, conservação de solos chegando a influenciar até zoneamentos agroclimáticos para algumas culturas. E dentre todas as classes de textura há uma, em particular, que apresenta maiores desafios para o seu manejo e uso de forma eficiente e sustentável que é o solo leve ou arenoso.

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O que é solo arenoso?

Também conhecido por solo “leve”, solos arenosos são aqueles em que o teor de areia menos o teor de argila é maior que 70% (700 gramas de areia por quilograma de solo). De acordo com a Embrapa, solos leves ocupam cerca de 8% da área total do território brasileiro e são, em sua maioria, representados pelos Neossolos Quartzarênicos, Latossolos e Argissolos. Os menores teores de argila conferem baixa fertilidade natural, reduzidos teores de matéria orgânica e baixa retenção de água e nutrientes e, devido à pouca estruturação dos agregados, certa limitação à mecanização, principalmente, devido à maior suscetibilidade à erosão. Visto isso, conceitualmente, o solo arenoso não seria um candidato natural para o estabelecimento de culturas agrícolas pela limitada disponibilidade de nutrientes, baixa capacidade de estocagem de água e menor resiliência às práticas culturais. Entretanto, a pesquisa agronômica e experiência de campo de vários anos em diversas regiões do Brasil têm mostrado que existem tecnologias, manejos e sistemas de produção que, se adotados de forma racional, possibilitam o incremento do potencial de uso do solo arenoso, aumentando a sustentabilidade do sistema.

Fertilidade química do solo arenoso

Em relação a fertilidade química destes solos, a teores naturais dos nutrientes, por si, já são um primeiro limitante à produção agrícola e produtividade das culturas. Esta baixa fertilidade natural é fator não só das menores quantidades de nutrientes no material de origem (rochas) e alto nível de intemperização mas, também, porque devido às baixas quantidades de argila e de matéria orgânica há um reduzido número de cargas no solo para retenção de nutrientes.

A primeira prática que deve ser dada muita atenção é relacionada ao preparo inicial do solo e sistematização da área. Deve-se proceder a instalação de curvas de nível, terraços e canais vegetados com o objetivo de evitar erosão superficial e subsuperficial, perdas de nutrientes e permitir o máximo de inflitração de água no sistema. Alguns trabalhos demonstraram que em uma mesma condição climática áreas arenosas podem perder por erosão de 2 a 3 vezes mais solo do que áreas argilosas, ratificando a maior fragilidade dos solos mais leves ao efeito de arraste superficial causado pelas chuvas.

Realizado o preparo inicial e sistematização da área, o próximo passo é iniciar os processos para correção da fertilidade química, de acordo com as informações das análises de solo e baseando-se em critérios agronômicos definidos para a região em questão. A primeira prática a ser executada é a calagem que além de reduzir a acidez do solo libera cargas que serão, então, ocupadas por nutrientes como cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K) e outros cátions e ânions. Deve-se dar prioridade à incorporação do calcário para que o efeito ocorra também em camadas mais profundas, corrigindo o máximo possível do perfil do solo. Ainda baseado nas análises de solo, pode-se optar por realizar a gessagem que é uma prática que tem por função condicionar o solo em subsuperfície (abaixo de 20 a 30 cm da superfície), reduzindo a atividade de alumínio livre e aportando cálcio que é um nutriente que ativa o crescimento radicular. Além do ajuste de acidez nas camadas mais superficiais realizado pelo calcário, a aplicação do gesso gera um condicionamento do solo em profundidade e permite maior crescimento das raízes e, consequentemente, maior disponibilidade de água e nutrientes para as plantas.

Manejo de solo arenoso

Com o solo preparado e corrigido, já se encontram melhores condições para a realização das adubações e estabelecimento e desenvolvimento das culturas. Do ponto de vista químico, no solo arenoso, existem particularidades importantes para o manejo das adubações, principalmente, relacionados a processos de perdas de nutrientes por lixiviação. Nutrientes como o nitrogênio (N), enxofre (S) e boro (B) que são altamente móveis no solo e o potássio, que possui uma grande interação com a calagem, para que possam estar disponíveis às plantas nos momentos de maior demanda precisam ser manejados com maior cuidado. O parcelamento das adubações – aplicando parte do N e K de acordo com o desenvolvimento da cultura – e o uso de produtos que possuam liberação gradual de S e B, por exemplo, são estratégias importantes para o aumento de eficiência de uso de nutrientes. Para outros nutrientes como os micronutrientes metálicos, como há necessidade de atingimento de saturações por bases (V%) mais altas para que os teores absolutos Ca e Mg atendam às necessidades das culturas, o aumento de pH gera com frequência indisponibilização de zinco (Zn), cobre (Cu) e manganês (Mn); nestes casos, estes micronutrientes precisam ser fornecidos nas adubações de plantio junto as adubações com fósforo e, preferencialmente, próximo às raízes, de forma evitar a deficiência nas lavouras.

Manejo biológico

Até algum tempo atrás estes eram, basicamente, as principais recomendações dos pacotes tecnológicos para a produção em áreas de areia. Entretanto, a experiência e pesquisa mostraram que apenas o manejo físico e químico não são suficientes para estruturar e preparar o solo arenoso para sustentar culturas com altos tetos produtivos, principalmente, em anos de limitação hídrica. O pilar biológico do solo tem se mostrado cada vez mais importante para o aumento da resiliência e da produção sustentável e uma estratégia que deve ser priorizada para melhorar e aumentar o potencial de uso do solo arenoso – e sem abrir mão da produtividade da lavoura – é sem dúvida, aportar carbono ao sistema. O carbono é a unidade básica da matéria orgânica e por esta vários benefícios são aportados ao solo: o incremento da matéria orgânica aumenta a quantidade de cargas (CTC), promove a agregação do solo melhorando retenção de água, armazenamento de ar e nutrientes, aumenta a disponibilidade e liberação gradual de nutrientes para as plantas, reduz a perdas por erosão e lixiviação e, como um efeito importantíssimo, estimula e aumenta a atividade e biodiversidade de microorganismos do solo. Existem diversas formas de incorporarmos carbono aos solos além das culturas como uso de plantas de cobertura, aplicação de materiais orgânicos como estercos e resíduos de plantas e, principalmente, a utilização de sistemas de rotação e integração de culturas.

Plantas de cobertura

O uso de plantas de cobertura solteiras ou em consórcio promove um incremento da quantidade de material vegetal e, o uso deste para a cobertura do solo, traz inúmeros benefícios como a redução da temperatura da sua superfície, proteção contra o impacto das gotas de chuvas, melhoria da infiltração de água e redução das perdas desta por evaporação. Além disso, a inclusão de tipos diferentes de plantas e raízes no sistema, seja em sucessões de culturas como soja no verão e milho na safrinha ou mesmo nas entrelinhas de culturas perenes como café e citros, proporciona uma maior agregação do solo e contribui para o aumento da diversidade e tipos de carbono que são aportados.

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

Uma grande evolução à inclusão de plantas nas sucessões é a estratégia para a integração de tipos diferentes de atividades agropecuárias como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuaria-Floresta (ILPF). Há diversas experiências, principalmente em áreas de solos mais leves como o noroeste do Paraná, sul do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Oeste da Bahia nos quais a integração entre plantio de grãos, plantas de cobertura, gramíneas forrageiras para pastejo e pecuária se mostrou altamente eficiente para melhor aproveitamento de água, nutrientes e balanço de carbono no sistema. Os sistemas de integração são ferramentas poderosas para o aumento de sustentabilidade do solo arenoso e demandam um nível de especialização técnica e controle bastante altos para a sua implantação e gestão.

Materiais orgânicos

Outra alternativa para aporte de carbono aos sistemas agrícolas é o uso de materiais orgânicos como resíduos de plantas e estercos animais. Não há dúvida de que estes insumos orgânicos, principalmente, aqueles com boa qualidade e padronização são fontes importantes não só de carbono, como também de alguns nutrientes e sua aplicação contribui para o aumento da matéria orgânica dos solos. Todavia, alguns pontos que ainda dificultam o uso de resíduos orgânicos em maior amplitude são relacionados à disponibilidade, proximidade destes resíduos em relação ao local de uso, alta variação das características químicas e físicas e uma necessidade de maior operacional dentro da propriedade para manuseio e aplicação. Importante lembrar que tudo o que foi apresentado aqui não se aplica, somente, aos solos arenosos mas a todos os tipos de solo. Entretanto, devido ao solos leves apresentarem maiores limitações químicas, fisicas e biológicas o uso destas práticas, técnicas e insumos são extremamente relevantes para a manutenção do potencial produtivo e da sustentabilidade da produção.

Tecnologias para melhorar as condições dos solos

E, cada vez mais, novas tecnologias tem sido desenvolvidas com foco em aumento da matéria orgânica e incremento da atividade e diversidade microbiana dos solos de forma a impactar positivamente a sustentabilidade da produção agrícola. Foi pensando nisso que a Mosaic desenvolveu o Performa Bio que combina o que há de mais eficiente em nutrição mineral de plantas com efeitos de equilibrar, restaurar e fortalecer a saúde do solo. Performa Bio colabora para a saúde e longevidade do solo e gera maior sustentabilidade ao sistema produtivo, sem abrir mão da eficiência operacional dentro da fazenda.

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