plantação de carinata

Carinata: o que é, importância, adubação e mais

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Categorias: Culturas

A carinata (Brassica carinata A. Braun) vem ganhando destaque no Brasil como uma cultura versátil, com potencial agronômico, ambiental e industrial. Trata-se de uma planta oleaginosa pertencente à família das brassicáceas, assim como a canola e a mostarda, sendo caracterizada pela produção de óleo com alto teor de ácido erúcico, valorizado especialmente para fins industriais e energéticos (CRUZ, 2025).

Seus principais usos incluem a produção de biocombustíveis, com destaque para o combustível sustentável de aviação (SAF), além de aplicações na indústria química, como fabricação de lubrificantes e bioplásticos. A cultura também tem espaço em sistemas de rotação, especialmente como alternativa para a segunda safra após a soja, além de apresentar alto potencial para cobertura de solo devido ao elevado acúmulo de biomassa. Por não competir diretamente com culturas alimentares, a carinata apresenta forte apelo sustentável. Continue a leitura para saber mais!

Importância do cultivo da carinata para a agricultura brasileira

A carinata apresenta relevância estratégica para a agricultura brasileira por contribuir diretamente para a diversificação dos sistemas produtivos, reduzindo a dependência de culturas tradicionais e ampliando as opções para o período de entressafra. Além disso, possibilita a geração de renda adicional ao produtor, especialmente em áreas que ficariam ociosas nesse período.

Nos últimos anos, a cultura tem se destacado mundialmente como uma das matérias-primas mais promissoras para a produção de Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF), um mercado com forte expectativa de crescimento nas próximas décadas. A aviação comercial responde por cerca de 2 a 3% das emissões globais de CO₂, e possui poucas alternativas viáveis à substituição dos combustíveis líquidos convencionais, tornando o SAF uma solução estratégica para descarbonização (FERREIRA, 2025).

O óleo de carinata apresenta elevada eficiência na conversão em bioquerosene de aviação, com bom rendimento industrial e desempenho energético, o que tem impulsionado contratos internacionais e fortalecido essa cadeia produtiva (NOTÍCIAS AGRÍCOLAS, 2025). A crescente demanda por SAF é impulsionada por compromissos globais de neutralidade de carbono até 2050, estabelecidos por companhias aéreas, fabricantes e governos (FERREIRA, 2025).

Para o Brasil, isso representa uma oportunidade estratégica de integrar agricultura e energia renovável, aproveitando sua vasta área agrícola, tecnologia de produção e capacidade logística.

Além do óleo destinado à produção de combustível, a cadeia da carinata gera coprodutos valiosos. O farelo resultante da extração do óleo pode ser utilizado em segmentos industriais específicos, aumentando a eficiência econômica da cultura e fortalecendo a viabilidade da cadeia produtiva. A cultura também promove melhorias na estrutura do solo, graças ao seu sistema radicular vigoroso, que favorece a descompactação e melhora a infiltração de água (CRUZ, 2025).

Dessa forma, a carinata vai muito além de uma simples cultura de inverno, conectando o produtor rural a um mercado global de alto valor agregado. À medida que a demanda por SAF cresce, a carinata tem potencial para transformar áreas de entressafra em fontes de energia renovável, renda agrícola e sustentabilidade.

Qual é o potencial produtivo e o ciclo da cultura?

Essa cultura apresenta melhor desempenho em temperaturas amenas, características do outono e inverno brasileiros, o que favorece seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Por esse motivo, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o plantio costuma ocorrer entre março e maio, logo após a colheita da soja, aproveitando a janela da segunda safra. Já na região Sul, a semeadura é realizada entre abril e junho, aproveitando as condições típicas de inverno.

Do ponto de vista produtivo, a cultura apresenta rendimentos que variam, em média, entre 1.500 e 2.500 kg por hectare, podendo atingir valores superiores em condições favoráveis (SEEPAUL et al., 2020; BONANSEA; ERNST; MAZZILLI, 2023). Seu ciclo varia entre aproximadamente 90 e 150 dias, dependendo das condições, variedade plantada e do manejo adotado (FERREIRA, 2025).

Manejo nutricional e adubação

O manejo adequado da fertilidade do solo é um dos fatores determinantes para o sucesso da carinata. Por apresentar elevado potencial produtivo e significativa extração de nutrientes, a cultura responde positivamente a solos bem corrigidos e equilibrados (BONANSEA; ERNST; MAZZILLI, 2023).

Dentre os nutrientes de maior demanda, o nitrogênio está diretamente ligado ao crescimento vegetativo e à formação dos grãos, consequentemente ligado a potencial produtivo. As doses normalmente variam entre 60 e 120 kg por hectare, podendo ser parceladas entre a aplicação na semeadura, cerca de 20 a 30 kg/ha e o restante em cobertura nos estádios iniciais da cultura (4 a 8 folhas) (SEEPAUL et al., 2020; BHATTARAI, 2019).

O fósforo é essencial para o desenvolvimento do sistema radicular e deve ser aplicado preferencialmente no sulco de plantio, com doses ajustadas conforme a fertilidade do solo, que variam entre 40 a 80 kg/ha.

Já o potássio desempenha papel relevante na tolerância a estresses e na qualidade final dos grãos, sendo aplicado de acordo com a necessidade identificada na análise. Em solos com teores médio a altos, 40 a 60 kg/ha de K2O geralmente são suficientes.

Juntamente com o nitrogênio, o enxofre merece atenção especial no cultivo da carinata, por ser um nutriente-chave para brassicáceas, influenciando diretamente a síntese de óleo e compostos sulfurados. Normalmente, recomenda-se a aplicação entre 10 e 30 kg por hectare (BHATTARAI, 2019).

Além disso, micronutrientes como boro e molibdênio podem ser necessários, especialmente em solos mais pobres, sendo o uso de tecnologias com boa disponibilidade desse nutriente necessárias para elevar tetos produtivos.

Conclusão

A carinata se destaca como uma cultura promissora para o Brasil, aliando potencial industrial a importantes benefícios agronômicos e ambientais. Seu cultivo contribui para a diversificação produtiva, melhoria das condições do solo e fortalecimento de sistemas mais sustentáveis.

Com a crescente demanda por biocombustíveis, especialmente o SAF, a cultura tende a expandir sua participação no agronegócio brasileiro, consolidando-se como uma alternativa estratégica para geração de renda e integração entre agricultura e energia renovável.

Referências bibliográficas

  • BHATTARAI, Dwarika. Brassica carinata growth and yield response to nitrogen and sulfur fertilizers and impacts on selected soil parameters and GHG fluxes. 2019. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – South Dakota State University, South Dakota, 2019.
  • BONANSEA, Sebastián; ERNST, Oswaldo R.; MAZZILLI, Sebastián R. Baseline for Brassica carinata components of nitrogen-use efficiency in Southern South America. Agronomy, v. 13, n. 2, 2023.
  • BRASILAGRO. Brasil deve virar maior produtor global de carinata, matéria-prima para SAF. 2025. Disponível em: <https://www.brasilagro.com.br>. Acesso em: 16 jun. 2026.
  • CRUZ, Naiara. Carinata: a oleaginosa que vem revolucionando o campo e os céus. LinkedIn, 2025. Disponível em: <https://www.linkedin.com>. Acesso em: 16 jun. 2026.
  • FERREIRA, Danilo Alves. SAF and Carinata: a sustainable opportunity for Brazilian agriculture. LinkedIn, 2025. Disponível em: <https://www.linkedin.com>. Acesso em: 16 jun. 2026.
  • NOTÍCIAS AGRÍCOLAS. Cultivo de carinata avança no Brasil com produção contratada pela indústria. 2025. Disponível em: <https://www.noticiasagricolas.com.br>. Acesso em: 16 jun. 2026.
  • PLANETA CAMPO. Como a carinata está transformando a agricultura brasileira e abrindo caminhos para o biocombustível sustentável de aviação. 2025. Disponível em: <https://planetacampo.canalrural.com.br>. Acesso em: 16 jun. 2026.
  • SEEPAUL, Ramdeo et al. Carinata growth, yield, and chemical composition responses to nitrogen fertilizer management. Agronomy Journal, 2020.
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