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O que você está oferecendo aos animais?

Importância da qualidade do fosfato bicálcio utilizado na nutrição animal

No Brasil, existem cerca de 6.000 misturas minerais sendo comercializadas e, em muitas destas formulações a fonte de fósforo é escolhida pelo preço mais acessível. Mas nem sempre a fonte mais barata é a fonte de melhor qualidade.

Para entendermos o que estamos comprando, precisamos entender o que tem dentro das formulações e o que torna uma formulação ruim, ou com alto nível de toxicidez, por isso, usaremos a nomenclatura correta: elementos indesejáveis (chumbo, cádmio, mercúrio, arsênio, urânio, entre outros).

Mas não confunda, alguns metais são essenciais aos seres vivos e são disponíveis em forma de micronutrientes, como: o cobre, zinco, manganês, cobalto, molibdênio e o selênio.

Por sermos um país extremamente importante na comercialização de carne, tanto internamente como internacionalmente, o controle de uma boa fonte de fósforo é necessário, principalmente nos dias de hoje, onde a prática do preço mais acessível é quase uma imposição no contexto do comércio internacional de produtos pecuários in natura e processados.

Porém, a forma de produzir alimentos está mudando, não só aqui no Brasil, como no mundo todo, por isso as leis que envolvem essa produção estão passando por uma harmonização com base em padrões mínimos que asseguram a qualidade dos alimentos permitindo e favorecendo o comércio internacional.

POR DENTRO DA PRODUÇÃO

O fosfato bicálcico é obtido através do ácido ortofosfórico, com origem nas rochas fosfáticas, então, quanto mais pura a rocha, maior a qualidade do ácido originado dela por possuir menor teor de contaminantes.

As rochas brasileiras, possuem um teor de pureza muito superior às rochas fosfáticas estrangeiras e um comparativo feito entre seis marcas de fosfato bicálcico produzidas no Brasil e duas estrangeiras ressaltaram que o teor de elementos indesejáveis no nosso fosfato é muito inferior ao encontrado no mineral importado.

ROCHAS MAIS PURAS:
Ígneas: Cajati, Araxá e Tapira
Metamórficas: Patos de Minas
Sedimentares: Marrocos, Tunísia, Peru e EUA

DE OLHO NA SAÚDE!

O excesso de chumbo e cádmio em suplemento mineral, pode modificar a performance dos animais bovinos podendo inclusive, alterar o sistema reprodutivo causando abortamento, além disso, o excesso desses mineirais compromete a absorção de cálcio pelos animais. Pensando nisso, vemos que uma formulação mineral contaminada pode comprometer toda a cadeia alimentar, atingindo inclusive, os seres humanos.

A longo prazo, sabemos que os riscos à saúde humana devido ao consumo de alimentos de origem animal potencialmente comprometidos incluem: atrasos no crescimento, inúmeros tipos de câncer, lesões nos rins e fígado além de doenças auto-imunes.

Os elementos indesejáveis interagem com os minerais essenciais (zinco, ferro, cálcio, fósforo) nos processos metabólicos e essa interferência afeta o aproveitamento de nutrientes e pode tornar impossíveis as reações químicas normais, até o ponto de causar transtornos graves.

No final todo mundo perde…

Ao oferecer aos animais suplementos formulados com matérias-primas com alto teor de elementos indesejáveis, pois causam além de toxidez e acúmulo destes elementos nos produtos que chegam à nossa mesa, má absorção e má utilização dos minerais essenciais, impactando diretamente na produtividade e reprodução do rebanho.

Avalie corretamente a fonte suplementar de fósforo para os animais:

  • Leve em consideração a biodisponibilidade do elemento na fonte;
  • O custo por unidade do elemento;
  • A origem da rocha fosfática;
  • A composição química da fonte;
  • O processo de fabricação;
  • A forma química em que o elemento está presente;
  • A solubilidade em ácido cítrico 2%;
  • E o teor de elementos indesejáveis.

Na hora de nutrir seu rebanho, lembre-se de escolher produto de qualidade! O barato pode sair caro no futuro.

Toxidade de alguns minerais para o homem e animais domésticos:

Fonte: McDowell, 1992

Sabrina Coneglian
Especialista de Produtos Premium – Feed

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